
Budapeste, 11 abr 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro, Viktor Orbán, e o líder da oposição húngara, Péter Magyar, terminaram hoje a campanha eleitoral, na véspera das legislativas, com um apelo ao voto dos jovens, reunindo milhares de apoiantes nos comícios finais.
“Queridos jovens, vocês estão agora na rua principal da história, vamos escrevê-la juntos. Conversem com os vossos pais e avós amanhã [domingo], peçam a ajuda deles. Acho que eles vos amam muito mais do que vocês acreditam nessa propaganda mentirosa”, apelou Péter Magyar (Tisza, centro-direita), que lidera as sondagens e pode pôr fim a 16 anos de governação do ultraconservador Viktor Orbán (Fidesz).
Perante milhares de apoiantes, que enchiam a praça da Universidade de Debrecen (leste da Hungria), segunda cidade do país e tradicionalmente dominada pelo partido no poder, Magyar advertiu os eleitores contra fraudes eleitorais.
“Eles realizarão uma série de operações de falsa bandeira em consulta com agentes russos, seguindo os seus conselhos. Eles tentarão infiltrar-se nas circunscrições [círculos eleitorais] disfarçados de ativistas do Tisza. Pergunto: a quem interessa uma operação de falsa bandeira como essa? Por que isso seria do interesse do Tisza? Amanhã {domingo], a polícia deve agir de acordo com o seu juramento”, pediu, citado pelo meio ‘online’ independente 24.hu.
“Cada um estará sozinho na cabine de votação com a sua própria consciência. Peço a todos que reflitam se vale a pena vender o seu futuro a essas pessoas por uma vantagem diária, dez mil florins ou uma cesta básica”, apelou, adiantando que o partido criou um ‘site’ para denúncias de possíveis fraudes eleitorais.
Magyar ainda fez um intenso apelo ao voto.
“Reergam-se, húngaros, clamem pela pátria, a hora é agora, agora ou nunca. Ser prisioneiros ou ser livres, eis a questão que cabe a vocês escolher. Juramos pelo Deus dos húngaros, juramos que não seremos mais prisioneiros”, disse, enquanto os apoiantes gritavam “o Tisza está a fluir”.
O Tisza é o segundo rio mais importante da Hungria e também o nome do partido opositor, que resulta da junção das primeiras sílabas das palavras “respeito” e “liberdade”.
Na capital húngara, milhares de apoiantes do Fidesz enchiam hoje ao final da tarde a praça Szentháromság, no coração do bairro do Castelo de Buda, património mundial da Unesco, agitando bandeiras do país e, à medida que escurecia, erguendo tochas acesas.
Falando também para os jovens — que, segundo as sondagens, preferem a oposição -, Orbán garantiu que não permitirá que sejam levados para a guerra, repetindo uma das principais mensagens da campanha, durante a qual tem advertido que a vitória do Tisza levará a Hungria a ser arrastada para a guerra na vizinha Ucrânia.
Insistindo na ideia “do perigo”, avisou que “não é altura para aventuras”, segundo o 24.hu.
O primeiro-ministro estabeleceu como meta alcançar três milhões de votos.
“A unidade nacional numa democracia pode ser criada através de eleições. Então, se tivermos três milhões de votos, nem mesmo as portas do inferno prevalecerão contra nós nos próximos quatro anos”, defendeu.
Cerca de 8,1 milhões de húngaros são chamados a votar no domingo para eleger os 199 deputados do parlamento. As eleições estão a ser vistas como decisivas, não só para o país mas também para a União Europeia.
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