
Quelimane, Moçambique, 16 ago 2026 (Lusa) – A oposição moçambicana criticou hoje a atuação da polÃcia, que disparou gás lacrimogéneo para dispersar apoiantes e membros do partido Anamola, em Quelimane, impedindo uma marcha em celebração de um ano da formação, e exigiu uma investigação independente.
Em comunicado, o partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), lÃder da oposição moçambicana, repudiou a atuação da polÃcia em Quelimane, centro do paÃs, contra membros do partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), criado pelo polÃtico Venâncio Mondlane, lembrando que o direito à manifestação é consagrado na Constituição.
“Apelamos à s autoridades competentes para que seja realizada uma investigação independente, célere e transparente sobre os acontecimentos, com vista ao apuramento das responsabilidades e à responsabilização dos agentes que tenham eventualmente atuado fora dos limites da lei”, lê-se na nota de repúdio do partido.
Para esta formação, é preocupante que agentes do Estado atuem para intimidar e agredir cidadãos indefesos em pleno exercÃcio dos seus direitos, exigindo respeito pela dignidade humana, direitos fundamentais e princÃpio da proporcionalidade.
“A divergência polÃtica não pode constituir fundamento para a repressão, perseguição ou violência. Reiteramos a necessidade de que as instituições de defesa e segurança atuem com neutralidade, profissionalismo e respeito pelos direitos de todos os cidadãos, independentemente da sua filiação ou preferência polÃtica”, apela o Podemos.
O partido Anamola contabilizou quatro feridos na sequência de disparos efetuados pela polÃcia contra os seus membros e apoiantes em Quelimane, quando se preparavam para marchar em celebração ao primeiro aniversário da formação, e pediu a responsabilização dos agentes envolvidos.
Também hoje, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) repudiou o ataque da polÃcia a membros e simpatizantes do Anamola.
“A Renamo condena qualquer atuação policial que ultrapasse os limites da legalidade, necessidade e proporcionalidade. Num Estado de direito Democrático, as forças de segurança existem para proteger os cidadãos e garantir a ordem pública, e não para intimidar ou reprimir o exercÃcio de direitos fundamentais”, lê-se na nota de repúdio do partido.
A Renamo considera grave qualquer alegação de utilização de balas verdadeiras e gás lacrimogéneo contra cidadãos, pedindo uma “investigação urgente, independente e transparente”, bem como a responsabilização dos agentes que tenham atuado à margem da lei.
“A Renamo exige, por isso, que as autoridades competentes esclareçam publicamente as circunstâncias que determinaram a intervenção policial e apurem eventuais responsabilidades, garantindo que os cidadãos lesados tenham acesso à justiça”, conclui o partido.
Já a organização não-governamental Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), apontou para “tratamento desigual” dos partidos polÃticos quando estão em atividades de mobilização, com programas da oposição a sofrerem “restrições ou intervenções das autoridades”.
“É fundamental que as autoridades, com destaque para o Ministério Público, esclareçam as circunstâncias da intervenção policial em Quelimane, incluindo as razões que determinaram o uso de gás lacrimogéneo e armas de fogo, bem como que sejam investigadas as alegações de disparos com armas de fogo e apurada a responsabilidade por eventuais atos de violência ou uso excessivo da força”, pede a ONG, indicando que a atuação da polÃcia contrasta com os ideais do diálogo polÃtico em curso.
O autarca de Quelimane, Manuel de Araújo, já tinha manifestado “profundo choque” com a atuação da polÃcia, criticando a postura “musculada e desproporcional” das autoridades.
Venâncio Mondlane chegou na sexta-feira à cidade de Quelimane para participar nas comemorações do primeiro aniversário do partido que fundou. À chegada, já era visÃvel um forte aparato policial no exterior do aeroporto local.
PME // VM
Lusa/Fim
Â



