Oposição à monarquia: Deputados do Quebec recusam juramento a Carlos III

Foto: Québec solidaire/Facebook
Foto: Québec solidaire/Facebook

11 deputados recém-eleitos no Quebec recusaram-se ontem a prestar juramento ao Rei Carlos III, numa violação daConstituição do Canadá. Os políticos, todos eles do partido QuebecSolidaire, juraram antes lealdade “ao povo do Quebec”.

Um grupo de deputados recém-eleitos no Quebec recusou-se esta quarta-feira, dia 19 de outubro, a jurar lealdade ao Rei Carlos III, considerado monarca do país pela Constituição.

Ao todo, 11 deputados, todos do partido de esquerda Quebec Solidaire, não quiseram fazer o juramento e agora correm o risco de não poderem ocupar os assentos na Assembleia Nacional do Quebec no final de novembro.

Num discurso televisivo, os parlamentares prestaram antes juramento “ao povo do Quebec”. O porta-voz do partido, Gabriel Nadeau-Dubois, assegurou que os políticos agiram com “total conhecimento de causa”.

“Fez-se campanha para mudar de era no Quebec e se nos enviaram ao Parlamento, é para abrir uma porta”, acrescentou.

Segundo a lei constitucional do Canadá, qualquer deputado federal ou provincial deve prestar um juramento de lealdade à monarquia britânica para poder exercer o seu mandato.

Mas jurar lealdade à coroa britânica sempre foi um motivo de conflito no Quebec, uma província maioritariamente francófona, que realizou dois referendos, em 1980 e 1995, para se separar do Canadá. Nas duas ocasiões, a maioria votou pelo não à independência.

Paul St-Pierre Plamondon, líder do Parti Québécois, informou na semana passada que se tratava de “um conflito de interesses”, porque “não se pode servir dois senhores”. Além disso, segundo o político, a monarquia custa “67 milhões de dólares por ano” e o juramento é uma “recordação da dominação colonial”.

Também no dia 18 de outubro, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reafirmou que “não há um único quebequense” que queira “reabrir a Constituição”.

A abolição da monarquia requer reescrever a Constituição, bem como a aprovação unânime do Parlamento e de dez governos das províncias canadianas, o que pode demorar anos.