
Lisboa, 08 mai (Lusa) – O presidente do Banco Privado Atlântico admitiu hoje ter indicado o advogado Proença de Carvalho ao administrador do BCP Iglésias Soares para que o ex-procurador Orlando Figueira tratasse dos problemas sobre pagamentos do contrato de trabalho.
Carlos José da Silva respondia, na qualidade de testemunha, a perguntas do advogado Rui PatrÃcio, mandatário do arguido Armindo Pires no processo Operação Fizz, em que o ex-procurador Orlando Figueira está acusado de corrupção passiva e outros crimes graves.
No segundo dia de interrogatório, o banqueiro luso-angolano insistiu que “não teve conhecimento” da abertura de conta de Orlando Figueira no Banco Privado Atlântico (BPA) Europa, mas admitiu que Iglésias Soares, do BCP, o indagou sobre o facto de o ex-magistrado, a trabalhar no mesmo banco, se queixar que tinha contrato com Angola e que o mesmo não estava a ser cumprido.
Carlos Silva disse ter transmitido a Iglésias Soares que não tinha conhecimento desses factos, de não ter “nada pendente” com tal beneficiário, e terá sugerido ao administrador do BCP que o ex-procurador recorresse aos serviços de dois advogados que conhecia: Proença de Carvalho e Frutuoso de Melo.
Questionado sobre a sua ligação a Proença de Carvalho, o banqueiro revelou que o advogado português só o representou uma vez num processo em que os seus fluxos financeiros estiveram sob investigação, não adiantando mais pormenores.
A testemunha insistiu não estar a par da contratação de Orlando Figueira para a banca, apesar de ter sido confrontado com emails para si enviados pelo advogado Paulo Blanco, também arguido neste processo.
Carlos Silva voltou a transmitir a ideia de que os emails eram filtrados pela sua assistente e que nem sempre dava importância às insistências e às mensagens de Paulo Branco, apesar de este advogado representar interesses angolanos.
Carlos Silva disse também “nada ter a ver” com a passagem de Orlando Figueira do Millenium/BCP para o Ativo Bank, numa segunda fase do trabalho deste na banca portuguesa.
Quanto ao almoço que teve num hotel em Lisboa com Orlando Figueira, em 2011, o banqueiro voltou a dizer que foi apenas de cortesia e que não se falou de trabalho.
“No almoço não se falou de processos”, assegurou o banqueiro, que foi confrontado por Rui PatrÃcio com uma série de emails enviados por Paulo Blanco e em que a testemunha evidenciou não ter dado muita relevância ou nem sequer ter tomado conhecimento.
Quanto à s relações com Paulo Blanco, disse que as mesmas eram “relações formais boas”, mas afastou qualquer amizade próxima, apesar de nalguns emails o advogado o tratar por “tu”.
Carlos Silva demarcou-se de ligações profissionais com o antigo presidente da Sonagol Manuel Vicente, também visado no processo.
O banqueiro continua a negar que tivesse oferecido emprego a Orlando Figueira para ir trabalhar para o BPA Angola, contrariando declarações de Orlando Figueira que o aponta como responsável pelo seu contrato de trabalho, nunca cumprido, para ir trabalhar para o BPA Angola.
A Operação Fizz assenta na acusação de que o ex-vice-Presidente angolano, Manuel Vicente, corrompeu Orlando Figueira, com o pagamento de 760 mil euros, para que este arquivasse dois inquéritos, um deles o caso da empresa Portmill, relacionado com a aquisição de um imóvel de luxo no Estoril em 2008.
Após a separação da matéria criminal que envolve Vicente, que foi também presidente da Sonangol, o processo tem como arguidos Orlando Figueira, o empresário Armindo Pires e Paulo Blanco.
O ex-procurador do DCIAP está pronunciado por corrupção passiva, branqueamento de capitais, violação de segredo de justiça e falsificação de documentos, o advogado Paulo Blanco por corrupção ativa em coautoria, branqueamento também em coautoria, violação de segredo de justiça e falsificação de documento em coautoria.
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