ONU apela a negociações entre Líbano e Israel

Beirute, 07 mar 2026 (Lusa) — A coordenadora especial da ONU no Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, apelou hoje a negociações entre o Líbano e Israel para pôr fim aos confrontos, iniciados segunda-feira, entre o exército israelita e o movimento pró-iraniano Hezbollah.

“As negociações entre o Líbano e Israel podem ser o elemento decisivo que permitirá às gerações futuras evitar reviver incessantemente o mesmo pesadelo”, afirmou Hennis-Plasschaert num comunicado.

“Se a situação já é grave, está destinada a agravar-se ainda mais. Muitas pessoas correm o risco de sofrer. As hostilidades devem cessar”, acrescentou.

Em dezembro, representantes civis do Líbano e de Israel participaram, pela primeira vez em décadas, em negociações diretas, no âmbito de uma reunião de um comité responsável por monitorizar o cessar-fogo de novembro de 2024 entre Israel e o Hezbollah.

Além do Líbano e de Israel, este mecanismo envolve as Nações Unidas, os Estados Unidos e a França.

O Líbano viu-se envolvido no conflito que se alarga no Médio Oriente desde que o Hezbollah disparou segunda-feira passada mísseis contra Israel, para “vingar” a morte do líder supremo iraniano, ‘ayatollah’ Ali Khamenei, durante os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo abatido Khamenei, líder supremo do país desde 1989. O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.

O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.

Hoje, porém, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, anunciou que os países vizinhos do Golfo deixarão de ser atacados pelo Irão, exceto se forem lançados ataques contra território iraniano a partir desses Estados.

“O Conselho de Direção Transitório decidiu [na sexta-feira] que deixará de haver ataques contra os países vizinhos, nem lançamento de mísseis, salvo se um ataque contra o Irão partir desses países”, declarou, num discurso transmitido pela televisão estatal.

Vários países do Golfo acolhem bases militares norte-americanas. Os vizinhos do Irão têm sido alvo de drones e mísseis desde o início do conflito, a 28 de fevereiro.

Teerão afirmou que tem visado apenas interesses ou bases norte-americanas, o que foi contestado pelos países atingidos.

“Peço desculpa […] aos países vizinhos que foram atacados pelo Irão”, declarou o Presidente iraniano.

Na mesma intervenção, Pezeshkian reiterou o que fora dito sexta-feira pelas autoridades religiosas iranianas, garantindo que o Irão não se renderá aos Estados Unidos e a Israel, numa resposta à exigência do Presidente norte-americano, Donald Trump, feita no dia anterior, de uma “rendição incondicional” para pôr fim à guerra.

“Os inimigos [Israel e os Estados Unidos] podem levar para o túmulo o desejo de ver o povo iraniano render-se”, frisou Pezeshkian.

 

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