ONU alerta para necessidade crescente de ajuda humanitária no Líbano

Beirute, 14 abr 2026 (Lusa) — O alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Barham Salih, alertou hoje, durante uma visita oficial a Beirute, para as crescentes necessidades humanitárias do Líbano, reiterando que a solução para a situação reside no fim do conflito.

“A ajuda humanitária é essencial, mas a solução fundamental continua a ser o fim da guerra e a conquista de uma paz duradoura”, afirmou, após um encontro com o Presidente libanês, Joseph Aoun, segundo um comunicado divulgado pela presidência.

O líder do ACNUR pediu maior apoio da comunidade internacional para atender às crescentes necessidades humanitárias do Líbano, confirmando que a agência da ONU continua a trabalhar para ajudar mais de um milhão de pessoas deslocadas pelo conflito no país.

Durante o encontro com Aoun, o também antigo presidente iraquiano (2018-2022) reafirmou o seu compromisso em manter o apoio e colaboração com as autoridades libanesas para prestar assistência à comunidade deslocada.

Segundo o comunicado, a visita de Salih ao Líbano teve como objetivo enviar uma mensagem de solidariedade no meio da guerra que assola o país desde 02 de março.

Por seu lado, o chefe de Estado libanês alertou o alto-comissário da ONU para a “grande catástrofe humanitária” provocada pela ofensiva aérea e terrestre israelita e informou-o de que as consequências da crise de deslocados vão persistir mesmo após um possível cessar-fogo.

Pelo menos 2.089 pessoas foram mortas e outras 6.762 ficaram feridas no Líbano desde o início de uma intensa campanha de bombardeamentos israelitas, há seis semanas, à qual se juntou posteriormente uma ofensiva terrestre no sul do país.

Israel alega estar a combater o grupo xiita libanês pró-Irão Hezbollah, mas é acusado de ter atacado várias vezes alvos civis no país.

Além disso, pela segunda vez em apenas um ano e meio, mais de um milhão de pessoas no Líbano foram forçadas a fugir das suas casas.

O Líbano foi a 02 de março arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o Hezbollah lançou morteiros para Israel, que desde então tem bombardeado intensamente o sul do país, primeiro com forças de artilharia e blindados, e depois com operações terrestres.

Vários países defenderam a inclusão do Líbano no cessar-fogo alcançado na semana passada entre o Irão e os Estados Unidos, mas Israel optou por manter as operações em território libanês, tratando este cenário de guerra como uma frente autónoma.

Uma reunião ao nível de embaixadores entre o Líbano e Israel está agendada para hoje em Washington, mediador da iniciativa, para tentar alcançar uma trégua e uma data para o início de negociações entre Beirute e Telavive.

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