
Maputo, 23 jan 2026 (Lusa) — A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje para a previsão de agravamento da situação de saúde das pessoas afetadas pelas cheias em Moçambique e pediu apoio internacional para combater doenças diarreicas, a malária e infeções respiratórias agudas.
Em entrevista à ONU News, a chefe do programa de emergência na OMS Moçambique, Sinésia Sitão, alertou que a previsão de várias infeções justifica mais apoio em meios para salvar vidas.
“Espera-se que nos próximos dias a situação de saúde dessas pessoas possa agravar-se como consequência destas inundações. Então, nós apelamos ao mundo que apoie Moçambique a combater questões das doenças diarreicas, da malária e das infeções respiratórias agudas”, declarou.
A prioridade, disse, é facilitar a ação das equipas de saúde no terreno com apoio logístico e de formação que permitam fazer chegar medicamentos e salvar vidas, em particular na província de Gaza, a mais castigada pelas inundações.
Salientando que a OMS Moçambique está no terreno desde a preparação do plano de contingência, Sinésia Sitão realçou a importância de garantir a continuidade dos serviços de saúde nas zonas afetadas e alertou para a necessidade de se monitorizar o aparecimento de doenças.
“Nestas situações temos pessoas deslocadas, muitas pessoas num mesmo local, as condições de higiene, água não são boas, então, isto proporciona o surgimento de doenças ou agravamento de doenças já existentes”, sublinhou.
Outra das preocupações prende-se com a saúde mental, incluindo a dos profissionais de saúde.
“Temos a questão da saúde mental que é muito importante, as pessoas estão afetadas e precisam de ser aconselhadas, ter apoio psicossocial para conseguirem fazer face a este período de emergência que estão a enfrentar. Tanto no geral como também aos próprios profissionais de saúde, que fazem parte da população e também são afetados, então é uma prioridade”, enfatizou.
Paulo Tomás, porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Riscos e Desastres, apontou a necessidade de resgate de cerca de 4.000 pessoas sitiadas nos distritos de Magude, Manhiça, Chókwé e Guijá, nas províncias de Maputo e de Gaza.
“Ainda temos população que precisa de ser resgatada, mas com o reforço que o país está a receber dos vários países vizinhos, de várias organizações e outras entidades, a grande preocupação é mesmo retirar as pessoas que ainda se encontram nos locais de difícil acesso. Elas estão sem meios, sem formas ou sem condições de poderem confecionar alimentos, sem acesso a água potável, portanto, há necessidade mesmo de garantir a retirada imediata dessas pessoas dos locais”, realçou.
Pelo menos 642.122 pessoas foram afetadas desde 07 de janeiro pelas cheias em Moçambique, registando-se ainda 12 mortos, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
O INGD indica ainda que desde o início da época chuvosa foram confirmadas 242 unidades sanitárias afetadas. Pelo menos 144 pessoas ficaram feridas e 91 centros de acolhimento albergam cerca de 96 mil desalojados.
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 15:50 (13:50 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 139.708 famílias, com registo de 2.879 casas parcialmente destruídas, 757 totalmente destruídas e 71.560 inundadas.
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