OE2027: PCP acusa PS de estar a contribuir para a “máscara” do Chega

Vila Franca de Xira, Lisboa, 03 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP acusou hoje o PS de ter libertado o Chega de viabilizar o Orçamento para 2027, permitindo que o partido de André Ventura mantenha a “hipocrisia” e a “máscara” em relação ao Governo PSD/CDS.

Esta posição foi transmitida por Paulo Raimundo em declarações à agência Lusa após ter visitado a Feira de Outubro, em Vila Franca de Xira, quando questionado sobre o acordo entre Chega e PSD para alterar na especialidade proposta do Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano.

Na sua resposta, Paulo Raimundo juntou a esse anúncio de acordo entre PSD e Chega a declaração em que o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, comunicou que iria defender nos órgãos do seu partido a viabilização na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027.

“Não fiquei surpreendido com o balanço final da passada quarta-feira. O que aconteceu na quarta-feira foi que o Governo, com o Chega, aprovou a lei de despejos e de aumento das rendas. Mas, nessa mesma quarta-feira, o Governo conseguiu a proeza de o PS garantir a viabilização do seu Orçamento”, apontou.

De acordo com o secretário-geral do PCP, estes dois episódios comprovam as posições tomadas pelos comunistas em relação ao atual quadro político.

“Foi a comprovação daquilo que nós temos dito: Quando o PS falha, o Chega está lá para dar a mão; quando o Chega faz birra, o PS está lá para dar suporte” ao Governo, criticou.

Na perspetiva do líder do PCP, se, por hipótese, o PS reconsiderasse a sua opção de pretender viabilizar a proposta de Orçamento do Estado para 2027, aconteceria então o seguinte: “Não tenho nenhuma dúvida de que o Chega ia dar as cambalhotas todas e arranjava depois justificações para viabilizar o Orçamento de Estado”.

Paulo Raimundo lamentou, sobretudo, a atuação política do PS face ao Governo, considerando que essa linha tem depois consequências na conduta do Chega.

“A posição do PS não liberta só o Chega de viabilizar o Orçamento, que é o que iria fazer. Liberta o Chega de viabilizar do Orçamento, mas, também, mantendo toda a sua demagogia, a hipocrisia, a mentira. Ou seja, na prática, o PS está a contribuir para que a máscara se mantenha na cara do Chega, quando aquilo que é preciso é desmascarar o Chega”, contrapôs o secretário-geral do PCP.

Nas suas declarações à agência Lusa, Paulo Raimundo defendeu a ideia de que não há razões para o projeto de lei do PCP, para um aumento intercalar das pensões, não ser aprovado no Parlamento na próxima semana.

“Propomos um aumento intercalar de 50 euros para todas as reformas, com retroativos a julho. Isto significa que todos os reformados vão receber pelo menos mais de 50 euros na sua reforma, a partir de julho até ao final do ano. São mais 300 euros para cada reformado, com a vantagem destes aumentos, no próximo ano, contarem a partir destes 50 euros a mais”, advogou.

O secretário-geral do PCP criticou depois o bónus que o Governo se propõe atribuir, considerando que não responde  ao aumento do custo de vida”.

“A pressão sobre o dia-a-dia não se vai resolver só em dezembro com o tal bónus que o Governo quer dar. As questões estão aí todos os dias, e até chegar dezembro ainda falta outubro e ainda falta novembro – e a vida continua depois do Natal”, declarou.

No plano político, Paulo Raimundo disse não ver razões – a não ser por parte dos partidos do Governo – para que outros partidos não acompanhem a iniciativa do PCP para um aumento intercalar das pensões.

“Se o fizerem, é uma medida passível de passar [no Parlamento], com o que isso constitui na vida dos reformados”, acrescentou.

De acordo com Paulo Raimundo, em Vila Franca de Xira, como em outras localidades que tem visitado, “há uma realidade que é transversal”.

“As pessoas têm de desviar o pouco dinheiro que têm para aguentar um aumento brutal dos alimentos, um aumento brutal dos combustíveis e para aguentar as rendas e prestações”, rematou.

 

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