Novo projeto de carvão deve alcançar 3,5 milhões de toneladas anuais em Moçambique – PR

Tete, Moçambique, 13 mar 2026 (Lusa) — Moçambique espera uma produção anual de 3,5 milhões de toneladas de carvão no arranque do novo projeto de exploração mineira de Revuboè, no centro do país, gerando 9.500 empregos, disse hoje o chefe do Estado, Daniel Chapo.

Ao intervir no lançamento do Projeto Mineiro de Revuboè de extração de carvão mineral, no distrito de Moatize, província de Tete, centro do país, o Presidente moçambicano adiantou que esta iniciativa, com a empresa indiana Jindal Steel & Power como novo acionista, prevê, na primeira fase, que arranca em 2028, uma produção inicial de 3,5 milhões de toneladas de carvão por ano, sendo que, na segunda, em 2032, estima produzir 7 milhões de toneladas anuais, além da criação de cerca de 1.500 empregos diretos e cerca de 8.000 empregos indiretos.

Segundo Chapo, prevê-se que o projeto tenha até 35 anos de vida útil, indicando que a expectativa é contribuir para as receitas do Estado e a “otimização da utilização das infraestruturas logísticas nacionais, incluindo as linhas ferroviárias da Beira e de Nacala, reforçando o papel estratégico destes corredores de desenvolvimento”.

Além da vila de reassentamento, o projeto inclui a construção de uma ponte ligando a mina à Estrada Nacional 7 e uma plataforma logística de depósito de carvão para escoar para o porto da Beira, província de Sofala, além da construção de cais para atracar navios naquela região.

Chapo disse que o carvão extraído em Revúboè será processado e transformado localmente.

“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas em bruto, deixando para outros países o valor acrescentado do processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar. E com Revúboè, começamos a mudar”, disse.

Disse ainda que o carvão a ser explorado será maioritariamente utilizado nas unidades industriais da própria empresa para a produção de aço e do ferro na Índia, indicando que Moçambique quer ser um parceiro industrializado e confiável, que deixa de ser apenas fornecedor de matérias-primas.

Chapo afirmou que quer as pequenas e médias empresas a prestarem serviços a projetos de exploração de recursos minerais: “É importante que os projetos percebam que existem pequenas, médias e micro empresas locais, que é extremamente importante prestarem serviços a esses projetos, porque isto permite gerar emprego para a juventude, rendas para as famílias para conseguir fazer chegar comida na mesa e também pagamento de impostos”.

Chapo quer a Jindal a explorar ferro em Tete para, em seguida, fundi-lo localmente e vender ao mundo.

A empresa indiana Vulcan também explora no mesmo distrito uma área de 250 quilómetros quadrados de extração de carvão.

Para Chapo, com a entrada em operação da mina, Moçambique fortalece a sua posição como um dos grandes produtores de carvão na África e no mundo.

“O nosso desafio histórico como moçambicanos tem sido transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano mensurável, isto é, em estradas, em escolas para os nossos filhos, em centros de saúde, em mais livros gratuitos, em mais medicamentos para o nosso povo, em mais energia, em mais água, portanto, no melhoramento da vida dos moçambicanos”, disse.

Segundo disse, vai recusar que oportunidades geradas por este empreendimento “passem ao lado das comunidades” locais e das empresas moçambicanas, defendendo que devem ser “alavanca de desenvolvimento”.

“Sabemos que a mineração, quando mal gerida, pode gerar divisão, conflito ambiental e ressentimento entre as populações locais. Por isso, exigimos que este projeto seja implementado segundo os mais elevados padrões de responsabilidade social e ambiental e vamos monitorar”, prometeu.

“Tete deve deixar de ser uma referência de conflitos entre empresas e as comunidades, ou entre empregadores e os trabalhadores. Todos devemos sair a ganhar, cada um deve sentir que a exploração dos recursos minerais estratégicos não só produz lucros para as empresas, mas também traz benefícios para as comunidades”, concluiu.

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