Nova flotilha para Gaza sai de Barcelona após atraso por mau tempo

Barcelona, 15 abr 2026 (Lusa) – A nova Flotilha Global Sumud, que quer chegar a Gaza, sai hoje de Barcelona, em Espanha, três dias depois do inicialmente previsto por causa de condições meteorológicas adversas, disse hoje a organização.

Segundo um comunicado, cerca de 30 barcos zarpam hoje de Barcelona e outros vão juntar-se em França e Itália, com a saída da flotilha completa (70 embarcações) prevista para 24 de abril desde o porto italiano de Siracusa, na ilha da Sicília.

De Barcelona saem hoje também os barcos “Arctic Sunrise”, da organização não-governamental (ONG) Greenpeace, e “Open Arms”, da ONG espanhola com o mesmo nome, conhecida por, entre outras iniciativas, resgatar migrantes no Mediterrâneo.

Os barcos das duas ONG vão prestar apoio técnico e logístico às embarcações da flotilha.

A nova Flotilha Global Sumud devia ter deixado Barcelona no domingo, mas nesse dia fez apenas uma despedida simbólica do porto da cidade e o início da viagem pelo Mediterrâneo foi adiada devido a condições atmosféricas adversas.

Esta flotilha vai levar cerca de mil pessoas oriundas de mais de 70 países a bordo de cerca de 70 barcos e, segundo anunciou a organização, pretende ser “a maior missão marítima em defesa da Palestina” da história.

A nova Flotilha Global Sumud integra mais 20 barcos do que a anterior, a que partiu em outubro passado de Barcelona e acabou intercetada pela marinha israelita, sem que nenhuma embarcação tenha conseguido aproximar-se do território palestiniano de Gaza.

Perto de cinco centenas de ativistas foram então detidos por Israel, antes de serem deportados para os respetivos países.

Os organizadores sublinharam na semana passada que apesar de a atenção internacional se ter desviado de Gaza, Israel mantém o bloqueio ao território, assim como ataques, que se intensificaram também na Cisjordânia.

A iniciativa tem quatro reivindicações, a primeira das quais a abertura de um corredor permanente por mar e outro por terra de acesso a Gaza que garanta a passagem segura de ajuda humanitária, pessoal médico e materiais de reconstrução.

A Flotilha Global Sumud pede ainda “o embargo imediato de armas” a Israel e que a reconstrução e o governo de Gaza sejam liderados pelos palestinianos, a par do levantamento do bloqueio e da garantia do direito de regresso para todos os palestinianos.

A Faixa de Gaza, governada pelo grupo radical Hamas, está sob bloqueio israelita desde 2007.

Israel e o Hamas acusam-se mutuamente de violarem o cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de outubro de 2025, após dois anos de guerra.

As acusações de genocídio cometido por Israel contra palestinianos na Faixa de Gaza multiplicaram-se, mas Telavive rejeita-as.

MP (RCV) // APN

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