
Um marco na neurocirurgia conta com a participação de dois canadianos: o implante cerebral para restaurar a capacidade física de pessoas que nasceram ou sofreram lesões graves no cérebro.
As operações decorreram no Hospital Toronto Western, pertencente à rede University Health Network. Realizadas a 27 de agosto e a 3 de setembro, permitiram implantar o dispositivo que funciona como uma interface sem fios entre o cérebro e o computador.
Os dois pacientes canadianos, ambos com lesões na espinal medula cervical, irão agora participar em consultas de acompanhamento e em sessões de investigação para aprender a utilizar o dispositivo.
O implante da Neuralink é composto por um transmissor ligado a fios ultrafinos que registam a atividade neuronal. Devido à sua dimensão microscópica, esses fios só podem ser inseridos no cérebro com recurso a um robô cirúrgico.
Depois de colocado, o dispositivo transmite sinais elétricos para a aplicação Neuralink, que descodifica a atividade cerebral em ações concretas, como mover o cursor de um computador. Esta tecnologia baseia-se em modelos de inteligência artificial e aprendizagem automática para identificar quais os sinais que correspondem a cada movimento ou comando.
A Neuralink foi fundada em 2016 por Elon Musk e outros parceiros. Em janeiro deste ano, a empresa já tinha concluído a primeira cirurgia em humanos nos Estados Unidos da América (EUA), juntando-se a outras empresas que exploram o uso da tecnologia em áreas como a recuperação da visão ou a interação com computadores apenas através do pensamento.
O estudo clínico em curso no Canadá avalia não só a segurança, mas também a eficácia desta tecnologia que promete mudar o futuro da medicina.
