Netanyahu revela que falou com Presidente sírio sobre minoria drusa

Jerusalém, Israel, 15 out 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, revelou hoje que falou por telefone com o atual Presidente da Síria em julho de 2025, para “enviar uma mensagem clara” para travar as mortes de membros da minoria drusa no país.

Esta foi a primeira vez que o chefe do Governo israelita se pronunciou sobre esta conversa, que ocorreu meses depois de Ahmad al-Sharaa ter chegado ao poder após derrubar o então ditador Bashar al-Assad no final de 2024.

Esta ligação direta entre os dois pode também ser a primeira do género na história de ambos os países.

“Telefonei a Al-Sharaa. Foi uma conversa breve mas muito intensa, e o assassínio dos drusos parou”, disse o primeiro-ministro, durante uma conferência do seu partido, Likud, dirigida precisamente a membros desta minoria, segundo relatos do jornal The Times of Israel, citado pela agência espanhola Europa Press.

Essa conversa ocorreu pouco depois de Netanyahu ter ordenado uma série de ataques a Damasco e outras áreas do país, que, disse hoje, tinham como objetivo “proteger os drusos no sul da Síria no contexto do conflito sectário que estava a decorrer”.

“Farei tudo o que puder para proteger os nossos irmãos e os vossos irmãos”, esclareceu.

Desde então, os governos dos dois países têm mantido conversações sobre um acordo de segurança, enquanto as autoridades sírias insistem em exigir a retirada das tropas israelitas da zona tampão na fronteira que está sob controlo israelita desde a queda de Al-Assad.

Durante esses ataques, as forças israelitas afirmaram ter atacado o quartel-general militar do então governo interino sírio em Damasco, bem como as imediações do palácio presidencial. A sede do Ministério da Defesa sírio foi destruída por um míssil israelita.

A província de Sweida, maioritariamente drusa, no sul da Síria, foi palco de uma semana de confrontos sangrentos entre beduínos drusos e sunitas em julho de 2025, que as autoridades reforçaram.

Mais de 2.000 pessoas foram mortas, incluindo 789 civis drusos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (SOHR), enquanto um comité criado pelo Governo sírio registou 1.760 mortos.

Na altura, as forças governamentais e os seus aliados foram acusados de execuções civis e outros abusos.

Israel, lar de mais de 150.000 drusos, interveio em 2025 bombardeando as forças governamentais em nome da defesa da comunidade.

As tropas do Governo sírio retiraram-se então da cidade de Sweida e de parte da província com o mesmo nome, mantendo um frágil cessar-fogo. Damasco afirmou desde então que começou a julgar suspeitos da violência.

Desde a queda de Bashar al-Assad, aliado do Irão e do grupo libanês pró-iraniano Hezbollah, Israel realizou centenas de ataques na Síria e enviou tropas para uma zona tampão controlada pela ONU que separa as forças israelitas e sírias nas Colinas de Golã desde 1974.

Também realizou repetidamente incursões mais profundas em território sírio, por vezes capturando residentes, e prometeu manter tropas no sul do país, onde exige o estabelecimento de uma zona desmilitarizada.

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