
Um grupo judaico e um especialista jurÃdico estão contra a alegação de um juiz que não reconhece que o nazismo levou ao holocausto numa polémica sessão na última sexta-feira. A ligação entre o nazismo e o Holocausto é tão bem conhecida que o ministério público não precisava de estabelecer esse facto numa sala de tribunal, diz o grupo à imprensa.
O grupo judaico B’nai Brith Canada e um perito jurÃdico estão a questionar a alegação de um juiz do Quebec de que a ideologia nazi tenha levado ao assassinato de judeus, não ser um facto amplamente aceite
O grupo reage em relação aos últimos desenvolvimentos num julgamento que envolveu um homem de Montreal acusado de promover intencionalmente o ódio contra os judeus, na sexta-feira, 8 de julho. Gabriel Sohier Chaput, de 35 anos, foi acusado em relação a um artigo que admitiu ter escrito e que foi publicado em 2017 no website neonazi Daily Stormer.
O post do blog incluÃa imagens racistas e comentários sobre judeus por todo o lado, e o website exibia fotografias de Hitler e outras imagens associadas ao nazismo. O acusado testemunhou durante o julgamento que o Daily Stormer era um “site de paródia”.
Durante os argumentos finais da acusação na sexta-feira, 8 de julho, o juiz Manlio Del Negro do Tribunal do Quebec revela que não foram apresentadas provas para acusar o homem de 35 anos. Uma das quais prendia-se com o testemunho de peritos, de que a ideologia nazi conduziu ao Holocausto, o genocÃdio dos judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial.
O ministério público canadiano acreditava que a ligação entre o nazismo e o Holocausto seria aceite pelo juiz como notificação judicial.
A ligação, porém, foi de facto contestada pela advogada de defesa de Gabriel.
Na última segunda-feira, o grupo B’nai Brith Canada apelou ao Governo federal e aos Governos provinciais para garantir que os juÃzes tenham formação sobre o Holocausto e o antissemitismo.
“Todos os canadianos devem ficar chocados”, avançou o grupo judaico num comunicado de imprensa.
“Não esperamos que o Holocausto seja negado e distorcido pelos nossos tribunais. O Ministério Público não precisa de estabelecer que o Holocausto aconteceu. Não é necessária nenhuma testemunha especializada. A comunidade judaica está indignada”.



