Movimento Cívico TVDE satisfeito com adesão ao protesto iniciado hoje

Lisboa, 19 jan 2026 (Lusa) — O coordenador geral do Movimento Cívico Somos TVDE manifestou-se hoje satisfeito com a adesão ao protesto “STOP: Uber/Bolt — Sem motoristas, não há viagens!”, considerando, no entanto, dificuldade em conseguir chegar ao universo de cerca de 39 mil profissionais.

“Com os dados que tenho estou satisfeito. É difícil, (…) estamos num mercado muito grande, estamos a falar de (…) cerca de 38 a 39 mil motoristas que trabalham por mês nesta atividade. É lógico que (…) trabalham em horários diferenciados, mas pelo menos o impacto para o primeiro dia foi visível”, disse Fernando Vilhais, em declarações à agência Lusa.

O Movimento Cívico lançou uma iniciativa de protesto contra a falta de regulação do setor. que consiste em, a partir de hoje, os motoristas TVDE desligarem as aplicações das plataformas Uber e Bolt, alternadamente, durante esta semana, nas horas de ponta matinais.

A iniciativa teve hoje início e decorre até 24 de janeiro, no período entre as 07:00 e as 10:00, com os motoristas de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica) a desligarem a Uber na segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira e a Bolt na terça-feira, quinta-feira e sábado.

De acordo com Fernando Vilhais, o primeiro impacto da iniciativa foi positivo, explicando que o Movimento vai “tentar agregar cada vez mais pessoas para chegar ao final da semana com o impacto mais visível”.

“Hoje era o dia do arranque. Sabemos que não conseguimos chegar a todos, porque é extremamente difícil nesta atividade chegar a todas as pessoas e só com o apoio da comunicação social e através de algumas redes sociais, onde nós já estamos a disseminar desde há alguns dias a iniciativa, é que a pouco e pouco vamos conseguir ter um número cada vez mais significativo”, explicou.

Fernando Vilhais lembrou que “não havia propriamente uma restrição de trabalho”, mas sim “a intenção de bloqueio da plataforma da Uber”.

“Houve impactos (…) em termos de aumento de procura da Bolt. Portanto, foi um sinal claro de que as pessoas aderiram à paralisação da utilização da Uber. É lógico que deve ter estado a funcionar, mas com muito mais dificuldades para os utilizadores conseguirem o serviço, com tempos de espera significativos face ao período do dia em que esteve a ocorrer a paralisação”, explicou.

Numa resposta à Lusa, a plataforma Bolt disse que “esta manhã, as operações da Bolt decorreram com normalidade. Não registámos alterações relevantes no número de motoristas ativos”.

A Lusa questionou igualmente a Uber, aguardando resposta.

Segundo Fernando Vilhais, os utilizadores das plataformas de TVDE hoje tiveram necessidade de pedir “categorias de serviços superiores de forma a conseguir carro” disponível, lembrando que esta é a forma como as plataformas “atuam sempre que há dificuldades de conseguir um motorista”.

O protesto abrange todo o país, mas Fernando Vilhais considerou que o maior impacto com perturbações na oferta de viagens foi sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, “onde as pessoas se movimentam mais e onde há uma maior concentração de motoristas TVDE”.

Para o responsável, a ideia do protesto é, em primeiro lugar, “limitar os poderes das plataformas”, considerando que, neste momento, os motoristas TVDE são “reféns completos da vontade das plataformas”.

“As plataformas (…) têm a possibilidade de reduzir tarifas de forma até ao infinito, até ao limite de esgotamento dos motoristas, porque têm valores de garantia de rendimentos e não existe nada que proteja motoristas ou operadores, de forma a salvaguardar os rendimentos necessários para as operações, quer de trabalho, quer de investimento, em termos de sustentabilidade”, disse.

Segundo Fernando Vilhais, “não existem mecanismos [de defesa dos motoristas] e as plataformas simplesmente dizem que, através de um processo concorrencial entre as duas plataformas, enviam o serviço e nós aceitamos ou não aceitamos”.

Esta é a primeira ação de protesto do Movimento Cívico Somos TVDE, criado em outubro de 2025 e que pretende agregar todos os motoristas de TVDE, em particular os 80% que trabalham de forma independente, expôs Fernando Vilhais.

Descartando a pretensão de o movimento, que “ainda é relativamente pequeno”, querer constituir-se como associação do setor de TVDE, o coordenador disse que a ideia é “acrescentar valor” às duas associações já existentes, a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) e a Associação Nacional Movimento — TVDE (ANM-TVDE), “para que a causa comum ganhe maior expressão dentro da sociedade”.

Num primeiro contacto, tanto a Uber como a Bolt avançaram à Lusa respeitarem o direito ao protesto dos motoristas TVDE agendado para esta semana.

De acordo com dados mais atualizados da plataforma do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, existiam em dezembro 38.597 motoristas ativos e um universo de 36.463 veículos.

RCP (SSM/LFS) // JLG

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