
Maputo, 25 abr 2026 (Lusa) – A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 11 eventos violentos nas duas últimas semanas, 10 envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram nove mortos, elevando para 6.527 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 06 a 27 de abril, dos 2.356 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.184 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
“Entre 10 e 14 de abril, um grupo de combatentes do EIM atacou quatro aldeias a oeste da vila de Macomia, matando pelo menos seis civis e raptando dois. O primeiro ataque ocorreu na aldeia de Nkoe, a mais de 22 km a noroeste da vila de Macomia”, alerta.
De acordo com a ACLED, os ataques ilustram como a estrada N380 está a emergir como uma linha de demarcação entre as comunidades, onde o EIM adota uma abordagem mais violenta a oeste da estrada, onde a Força Local, associada à Frete de libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder), é forte. A leste, onde exercem maior controlo, o seu envolvimento é muito menos violento.
“O grupo deslocou-se então para sul, atacando Nguida e Chicomo, a oeste da vila de Macomia, antes de atacar a aldeia de Iba, no distrito vizinho de Meluco. Segundo uma fonte, o grupo, composto por 100 homens bem armados, dirigiu-se para oeste, em direção às minas de Minhanha e Ravia”, lê-se no documento.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos avança ainda que os insurgentes estão ativos no distrito de Nangade pela primeira vez desde dezembro.
“A 14 de abril, as forças de segurança moçambicanas capturaram 10 tanzanianos, suspeitos de serem insurgentes, perto de Mandimba, no norte da região de Nangade. No dia seguinte, outro grupo de militantes do EIM atacou Machava, um povoado agrícola a menos de 20 quilómetros mais a sul, sem que tenham sido registadas vítimas mortais. A 20 de abril, entraram em Nkonga, uma aldeia no centro de Nangade, à procura de comida”, avança.
Citando fontes da população local, a ACLED explica que esses ataques foram realizados por recrutas do EIM que vieram da Tanzânia, e visavam obter alimentos para a viagem rumo ao sul, em direção a Macomia.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou em 08 de dezembro, em entrevista à Lusa, não descartar uma solução pela via do diálogo para o terrorismo no norte do país, porque o que Moçambique quer “é a paz”.
“Vamos continuar a trabalhar e, havendo esta linha, esta possibilidade, não há problemas nenhuns para os quais não se encontre alguma solução. O que nós queremos é a paz para o povo moçambicano”, disse Chapo, no Porto, em entrevista à margem da cimeira com Portugal.
“O que nós queremos é a paz e Moçambique é uma nação com uma experiência extraordinária nesta área. Se se recordar, tivemos uma guerra [entre as forças governamentais e a guerrilha da Renamo] de desestabilização que durou cerca de 16 anos, matou mais de um milhão de pessoas, destruiu bens públicos e privados, mas acabou através do diálogo. Portanto, foi assim que houve a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em Roma, a 04 de outubro de 1992”, acrescentou.
LCE (PVJ) // EA
Lusa/Fim
