
Maputo, 15 mai 2026 (Lusa) – O preço de algodão por quilograma vai subir 22,7% na época agrária 2025/2026 em Moçambique, para 27 meticais (36 cêntimos de euros), anunciou hoje o Governo, que quer recuperar empresários que desistiram do setor devido aos preços anteriores.
“A equação dava 26,5 [meticais por quilograma (…) mas nós vimos que era possível conseguir chegar até pelo menos 27 meticais. Gostaríamos que fosse muito mais que isso, mas vamos arredondar para 27 meticais o quilo e o Estado, juntamente com a indústria, vai encontrar um mecanismo de compensar este meio metical adicional aos produtores”, disse o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino.
O governante falava em Maputo após a reunião de negociação do preço mínimo do algodão e oleaginosas para a campanha 2025/ 2026, em que indicou que o Governo, juntamente com o setor privado, vai a diferença sem recorrer ao fundo de estabilização, pedindo melhorias na produção através de sementes melhoradas e tecnologia adequada.
“Os produtores são muito sensíveis aos preços, então bastou uma redução como foi do ano passado e logo perdemos 30, 40% dos produtores no setor, então o Governo e o setor privado decidimos unir esforços para iniciar uma recuperação daqueles que desanimaram para que voltem”, disse o ministro.
A nova tabela, segundo o Governo, fixa o preço com uma subida em 22,7% face à época agrária anterior, em que foi de 22 meticais (30 cêntimos de euro) por quilograma para o algodão de primeira qualidade.
Na mesma reunião, foram também aprovados os preços mínimos para o gergelim, que passa a custar 70 meticais o quilo (94 cêntimos de euro), 30 meticais(40 cêntimos de euro) o quilo para a soja, 32 meticais (43 cêntimos de euro) o quilo para o girassol e seis meticais (oito cêntimos de euro) o quilo a taxa para o Descaroçamento do Algodão, propostas que vão ser submetidos ao Conselho de Ministros.
“Os preços aqui acordados devem servir como instrumento mobilizador e de incentivo à produção, visando o aumento da produtividade, melhoria do rendimento das famílias produtoras e o fortalecimento da competitividade e eficiência do setor agrícola nacional”, disse o ministro.
As negociações dos preços mínimos do algodão passam a integrar as oleaginosas, com o ministro a indicar que estes setores envolvem mais de 800 mil produtores familiares em todo o país, dos quais cerca de 100 mil no algodão e 700 mil nas oleaginosas.
Na campanha passada, Moçambique alcançou 25 mil toneladas de algodão caroço, com a participação de três empresas de fomento, e mais de 350 mil toneladas de oleaginosas diversas em mais de 140 distritos, conforme informação apresentada pelo executivo.
O presidente da Associação Algodoeira e Oleaginosas de Moçambique (AAM), Francisco Ferreira dos Santos, considerou que se chegou a um consenso sobre “preços equilibrados”.
“Acho que temos base para trabalhar e gostaria de apelar a todos os agricultores para que cada vez mais abracem esta estratégia de fazer várias culturas (…) vamos procurar nos ajudar uns aos outros, mantendo a produção das culturas, incluindo o algodão”, disse aos jornalistas.
As exportações de algodão, das principais culturas de rendimento de Moçambique, continuam em queda, recuando para 2,3 milhões de dólares (dois milhões de euros) no primeiro trimestre de 2025, segundo dados oficiais compilados em setembro passado.
De acordo com um relatório estatístico do Banco de Moçambique, com dados de janeiro a março de 2025, este volume compara com os 3,7 milhões de dólares (3,1 milhões de euros) exportados no mesmo período de 2024, um recuo homólogo de 48%.
Moçambique representa menos de 0,5% da produção mundial de algodão, num mercado liderado por países como Estados Unidos, China ou Índia.
A área de produção de algodão em Moçambique cresceu de 95.097 hectares em 2023 para 96.523 hectares no ano passado.
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