Moçambique sem registo oficial de mortos ou feridos em xenofobia na África do Sul – PR

Redação, 05 mai 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, garantiu hoje, na África do Sul, que não há registo de cidadãos nacionais mortos ou feridos em incidentes relacionados com xenofobia naquele país vizinho, criticando a circulação de informações falsas nas redes sociais.

“A informação que nós temos até agora oficial é que não há nenhum moçambicano que ficou afetado por esta situação e nós vamos continuar a monitorar”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, em Pretória, ao fazer o balanço da visita de hoje à África do Sul.

A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia.

Ao fazer o balanço da visita, Chapo criticou as informações postas a circular nas redes sociais sobre alegados casos de violência contra moçambicanos naquele país vizinho, referindo que o Governo não tem conhecimento oficial desses referidos atos e, por isso, não se responsabiliza.

“Andam informações nas redes sociais, não são oficiais, andam alguns vídeos que até nem são da atual situação (…) outros até são de outros países, por isso queremos, neste momento, dizer que somos dois povos irmãos, lutamos juntos contra o colonialismo, contra o ‘apartheid’, temos que lutar juntos para desenvolver os nossos países”, disse o Presidente de Moçambique.

Chapo manifestou “profunda preocupação” com os atos de violência e intolerância dirigidos contra estrangeiros africanos, incluindo moçambicanos residentes na África do Sul, tendo expressado a sua confiança no Governo daquele país, indicando que vai assegurar a proteção dos que lá residem.

O Presidente moçambicano pediu “calma e serenidade” aos nacionais na África do Sul, prometendo esforços contínuos para a retoma da estabilidade e paz.

“Deixamos de forma clara e inequívoca que o povo sul-africano e o moçambicano sempre estiveram juntos na luta pela liberdade e independência do povo moçambicano para o alcance da nossa independência (…) e o povo moçambicano esteve junto do povo sul-africano na luta contra o apartheid”, disse Chapo.

“Como povos que sempre estiveram juntos, é importante que neste momento possamos continuar juntos para desenvolver os nossos países. O ódio não constrói, a violência não constrói, se nós queremos construir o desenvolvimento temos que desenvolver ou construir com paz e segurança e a violência não se responde com violência, o ódio não se responde com ódio, responde-se com paz, segurança, amor ao próximo e sobretudo com o diálogo”, acrescentou.

Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Moçambique possui cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul, com a Presidência tendo avançado antes, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência.

O Governo moçambicano condenou hoje os atos xenófobos na África do Sul, que contrariam a tolerância e convivência pacífica na África Austral, assumindo contactos diplomáticos para assegurar a proteção de nacionais naquele país vizinho.

 

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