
Bruxelas, 15 mar 2026 (Lusa) — Moçambique está há cinco meses sem registo de casos de raptos, disse hoje, em Bruxelas, o chefe do Estado, Daniel Chapo, indicando que as autoridades estão a trabalhar com “calma e serenidade” para travar este tipo de crime.
“Tínhamos situações de estrangeiros que queriam investir em Moçambique e que acabavam não investindo por causa deste crime concreto e nós estamos a trabalhar com calma e serenidade no combate a este mal e, neste momento já temos cerca de cinco meses sem nenhum rapto”, disse Daniel Chapo, em Bruxelas, durante um encontro com a comunidade moçambicana do Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo).
Segundo o Presidente moçambicano, o empresário português libertado na semana passada era o único refém ainda em cativeiro no país, destacando a redução de casos deste tipo de crime, fator essencial para atrair investimentos.
Chapo disse que o último rapto no país ocorreu em outubro passado, mas que “felizmente, há sensivelmente dois ou três dias” foi possível “libertar o refém, que era o único que estava no cativeiro”, pedindo aos empresários moçambicanos no Benelux a investirem no país.
O empresário português, de 69 anos, raptado em 07 de outubro último, no centro de Maputo, foi solto na terça-feira e já se encontrava na sua residência, em Maputo, capital do país, disse à Lusa fonte da família.
De acordo com o Presidente moçambicano, que assegurou que o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) continua a trabalhar para combater este tipo de crime, o empresário foi encontrado “debilitado e com problemas de saúde”, mas resgatado com vida.
O empresário português foi raptado na baixa de Maputo, em frente ao seu estabelecimento comercial, por um grupo que seguia numa viatura branca e sem chapa de matrícula, no primeiro caso do género conhecido então, publicamente, desde junho de 2025 em Moçambique.
O Sernic anunciou, em 07 de outubro do ano passado, a detenção de dois homens suspeitos de envolvimento no rapto do empresário português.
“Queremos confirmar a detenção de dois cidadãos nacionais, de idades entre 30 e 46 anos”, disse João Adriano, porta-voz do Sernic em Maputo, apresentando os dois suspeitos aos jornalistas.
Cerca de 300 pessoas envolvidas em casos de rapto foram detidas desde os primeiros registos destes crimes em Moçambique, em 2010, disse à Lusa, em 23 de outubro, o porta-voz do Sernic, explicando que esta estatística representa apenas um número aproximado.
Cerca de 150 empresários foram raptados em Moçambique nos últimos 12 anos e uma centena deixou o país por receio, segundo números divulgados em 2024 pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
SYCO (LCE) // VM
Lusa/Fim
