Moçambique prepara programa para massificar gás veicular – PR

Maputo, 11 mai 2026 (Lusa) – Moçambique vai lançar este ano um Programa Nacional de Massificação de Gás Veicular, anunciou hoje o Presidente da República, ao entregar 190 novos autocarros movidos a gás, garantindo que esse recurso, moçambicano, já muda a vida do povo.

“Estes autocarros são movidos a gás e ainda dentro deste ano estaremos na província de Inhambane, onde estamos a exportar gás há mais de 20 anos para a África do Sul, para fazer o lançamento do Programa Nacional de Massificação de Gás Veicular”, anunciou Daniel Chapo, na cerimónia, em Maputo.

Tratou-se da entrega de 190 autocarros movidos a gás, que vão servir 2,8 milhões de habitantes da cidade e província de Maputo, incluindo 40 para reforçar o transporte escolar, juntamente com outros 10 idênticos que seguiram para a província de Inhambane, também no sul do país.

“Todos estes autocarros funcionam a gás natural, para minimizar o preço. Isto significa que Moçambique começa, de forma cada vez mais concreta, a transformar os seus próprios recursos naturais em soluções para reduzir o custo de vida do seu povo”, sublinhou Chapo, acrescentando: “O gás é nosso e para nós deve servir”.

Moçambique já é uma referência na produção de Gás Natural Liquefeito em África, e prevê ascender aos três principais produtores até 2030, face às reservas em fase de preparação para exploração na Bacia do Rovuma, Cabo Delgado, no norte.

“O gás de Temane, na província de Inhambane, e no futuro o gás de Cabo Delgado, devem servir para mover a economia moçambicana, reduzir custos de mobilidade, dinamizar a indústria nacional e fortalecer a nossa soberania energética e económica”, avisou ainda Chapo.

Estas viaturas serão colocadas na Área Metropolitana de Maputo, com quase três milhões de habitantes, numa altura de crise de combustíveis em Moçambique, com a subida de preços, a primeira mexida em mais de um ano, devido às consequências do conflito no Médio Oriente.

“Como Governo, porque sabíamos que os combustíveis já haviam de aumentar o preço, e sendo Moçambique um produtor de gás, decidimos adquirir viaturas movidas a gás”, recordou Chapo, que já antes tinha admitido que os aumentos nos preços – 45,5% no gasóleo e 12,1% na gasolina, desde 07 de maio, foram inevitáveis e adiados por dois meses, já durante o conflito.

“É neste quadro que estamos igualmente a trabalhar para expandir o uso do gás veicular para outras províncias. O gás veicular, até hoje, é usado só na cidade e província de Maputo. Nós queremos expandir para Inhambane e Gaza, na primeira fase a zona sul, e com o gás do Rovuma, no futuro, expandirmos também para a zona centro e norte do nosso país e todo o país ter viaturas movidas a gás”, insistiu o chefe de Estado, na mesma ocasião.

Além disso, avançou que o Governo está a trabalhar na legislação para promover o uso de viaturas híbridas e elétricas.

Para já, no imediato, reconheceu Chapo, avançam as medidas para mitigar os impactos nos transportes, nomeadamente para travar subidas de tarifas face ao aumento do preço dos combustíveis: “Tomámos medidas concretas para mitigar o impacto sobre as famílias moçambicanas. Designadamente, subsidiámos o preço dos combustíveis para reduzir a pressão sobre o custo do transporte público e sobre os bens de consumo do povo moçambicano. Reforçámos a frota do transporte coletivo com estas 190 viaturas. Acelerámos a expansão do gás veicular. Estamos a promover soluções modernas de mobilidade e de transição energética”.

Contudo, o apelo vai também para o uso racional dos combustíveis no país.

“Apelamos igualmente ao povo moçambicano para que permaneça unido, vigilante e consciente desta crise. Uma família, se vive na mesma casa, pai, mãe, filha e filho, e cada um tem a sua viatura. De manhã saíam para ir trabalhar na baixa da cidade, usando quatro viaturas. É o momento de a família sentar, dizer vamos estacionar três e usar uma única viatura, para irmos trabalhar, até passar a crise”, concluiu Chapo.

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