
Maputo, 12 ago 2026 (Lusa) — A ministra dos Negócios Estrangeiros moçambicana pediu hoje à Eslováquia e à Dinamarca que apoiem a extensão da missão militar da União Europeia que presta assistência às Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
«À República Eslovaca, que é membro da União Europeia, reiteramos a nossa solicitação de apoio para a extensão da assistência da União Europeia às nossas Forças de Defesa e Segurança, através da EUMAM, cuja apreciação terá lugar em setembro», afirmou hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas.
A governante falava em Maputo durante a cerimónia de apresentação de cartas credenciais dos novos representantes diplomáticos de Cuba, África do Sul, Tailândia, Nigéria, Gana, Namíbia, Dinamarca e Eslováquia.
Segundo Maria Lucas, a Eslováquia, que mantém cooperação com Moçambique nas áreas económica e digital, manifestou abertura para continuar a apoiar o país.
A ministra disse que Moçambique apresentou igualmente ao Reino da Dinamarca um pedido de apoio à extensão da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM-MOZ), cuja continuidade deverá ser apreciada pelas instituições europeias no próximo mês.
Além da área da defesa, o Governo moçambicano manifestou interesse em reforçar a cooperação com a Dinamarca em vários domínios, incluindo a agricultura.
Relativamente aos restantes países cujos representantes apresentaram cartas credenciais, Maria Lucas afirmou que todos manifestaram interesse em aprofundar a cooperação com Moçambique em setores estratégicos como a exploração de gás e de recursos minerais, agricultura, comércio, pesca e nos domínios político e diplomático.
A Lusa noticiou em 29 de maio que a eurodeputada Hilde Vautmans, da Bélgica, afirmou em Maputo que irá defender a prorrogação por mais dois anos da EUMAM, cujo mandato termina no final de 2026.
Na ocasião, quatro eurodeputados visitaram Moçambique para avaliar os impactos do apoio europeu, incluindo deslocações à província de Cabo Delgado, no norte do país, afetada por ataques terroristas desde outubro de 2017.
Em entrevista à Lusa, Hilde Vautmans, que é também presidente da Delegação à Assembleia Parlamentar África-União Europeia, revelou que, ao abrigo do Mecanismo Europeu para a Paz, poderá ser equacionado um novo pacote de apoio financeiro destinado ao investimento em equipamentos, dependendo a decisão final dos Estados-membros da União Europeia.
Ao abrigo do mesmo mecanismo, a missão anterior beneficiou de um financiamento de 89 milhões de euros para a aquisição de equipamento não letal e para apoio logístico destinado a equipar 11 companhias de Reação Rápida das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), treinadas no âmbito da Missão de Formação Militar da União Europeia em Moçambique (EUTM-MOZ).
O Conselho da União Europeia prorrogou, em maio, o mandato da EUMAM-MOZ por mais seis meses, até 31 de dezembro de 2026.
A EUMAM-MOZ é uma missão não executiva que presta assistência às FADM no desenvolvimento e reforço das suas capacidades, procurando assegurar que estas consigam implementar e sustentar o ciclo operacional das unidades anteriormente formadas pela União Europeia.
Cabo Delgado enfrenta há quase nove anos uma insurgência armada associada a grupos extremistas ligados ao autoproclamado Estado Islâmico. O conflito já provocou cerca de 6.500 mortos e forçou a deslocação de centenas de milhares de pessoas, segundo dados de organizações internacionais.
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