Moçambique necessita de mais de 205 ME para repor estradas afetadas pelas cheias

Maputo, 13 abr 2026 (Lusa) – Moçambique necessita de 240 milhões de dólares (205,3 milhões de euros) para reparar as estradas afetadas pelas cheias da presente época chuvosa, com o Governo a admitir a necessidade de avançar com infraestruturas resilientes, foi hoje avançado.

“No caso de Moçambique, temos sido ciclicamente afetados por eventos climáticos extremos que provocam danos significativos nas infraestruturas rodoviárias, comprometendo investimentos avultados realizados pelo Estado (…). Para a reposição dos danos, são necessários cerca de 240 milhões de dólares norte-americanos”, disse o secretário de Estado dos Transportes, Chinguane Mabote.

O responsável falava em Maputo, na abertura da reunião do grupo focal da Associação dos Fundos de Manutenção de Estradas de África (ARMFA) da região da África Austral, tendo reconhecido a necessidade de integrar critérios de resiliência em todas as fases da vida das infraestruturas, situação imposta pelas alterações climáticas.

Segundo Chinguane Mabote, o evento de três dias deverá servir para os membros da ARMFA repensarem nas formas de integrar os critérios de resiliência climática, desde o planeamento até a manuntenção, e em modelos de financiamentos para mobilização de fundos para situações de emergências.

Em março, o Governo moçambicano estimou em 1,6 mil milhões de dólares (1.382 milhões de euros) o total do valor necessário para concretizar o plano de recuperação e reconstrução dos danos causados pelas inundações de janeiro, cuja elaboração estava na fase conclusiva, sendo um instrumento dividido em cinco domínios, nomeadamente o salvamento de vidas e assistência humanitária e reposição da transitabilidade.

Os outros domínios são a reposição das infraestruturas, a recuperação económica e a criação de condições para garantir uma melhor capacidade de prevenção e mitigação dos desastres naturais no país, explicou então o porta-voz do Governo, Salim Valá.

Com este plano, o Governo quer, concretamente, colocar a proteção da vida humana no centro da ação governamental, orientando a planificação, resposta e reconstrução para a salvaguarda das populações, promover um desenvolvimento territorial seguro assente numa planificação que integra mapas de risco e ordenamento territorial e adotar a reconstrução resiliente, assegurando que infraestruturas e assentamentos humanos sejam concebidos para resistir a eventos climáticos extremos.

O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas afetadas em menos de seis meses, segundo atualização de 31 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registarem nos últimos dias uma nova vaga de inundações. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.

O INGD indica ainda que 316.267 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 371.320 agricultores, e 531.116 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.

Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.522 quilómetros de estradas, 51 pontes e 237 aquedutos.

 

 

VIYS(PME/PVJ) // MLL

Lusa/Fim