
Maputo, 31 mar 2026 (Lusa) — Moçambique é dos países que mais podem sofrer subida do preço dos alimentos e do custo de vida devido à redução das importações de fertilizantes, causada pela interrupção do tráfego no estreito de Ormuz, alertaram as Nações Unidas.
No documento “Interrupções no Estreito de Ormuz: implicações para o comércio global e o desenvolvimento”, divulgado esta segunda-feira, a Organização das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) refere que a interrupção de transitabilidade no estreito de Ormuz “pode agravar o acesso a fertilizantes a alguns países mais pobres”, apontando para consequências globais decorrentes da paralisação do transporte global de suprimentos através daquele canal.
“A escalada do conflito que afeta a região do Estreito de Ormuz (…) reflete-se cada vez mais nos mercados de fertilizantes, interligando as interrupções no fornecimento de energia e no transporte marítimo aos mercados agrícolas, ao futuro do abastecimento alimentar e ao comércio”, alerta a organização.
Moçambique, adianta a UNCTAD, importou, em 2024, um total de 22% dos fertilizantes através daquele canal, originários do Golfo Pérsico, numa lista que inclui Nova Zelândia (26%), Quénia (26%), Tailândia (27%), Paquistão (27%), Somália (30%), Tanzânia (31%), Austrália (32%), Sir Lanka (36%) e Sudão (54%).
“Aumento nos custos de energia, fertilizantes e transportes — incluindo fretes, preços do combustível marítimo e prémio de seguros — pode elevar os preços dos alimentos e intensificar a pressão sobre o custo de vida, principalmente para os mais vulneráveis”, indica-se no documento.
Quando os preços do petróleo sobem, em consequência aumentam os dos alimentos e “quando os preços da gasolina sobem, os preços dos fertilizantes geralmente também sobem”, acrescenta-se.
O estreito de Ormuz é fundamental para o fornecimento global de fertilizantes como rota comercial e também por estar numa região de países produtores, insiste a UNCTAD.
Segundo os dados da organização, “o comércio de fertilizantes está altamente concentrado, aumentando a exposição a interrupções. Os países da região representam 13% das exportações globais de nitrogénio e 9% dos nutrientes de fertilizantes fosfatados”.
Globalmente, adianta, um terço do comércio marítimo global de fertilizantes passa pelo estreito de Ormuz, totalizando cerca de 16 milhões de toneladas de adubos importados por vários países a partir do Golfo Pérsico através daquele canal, dos quais 67% de ureia, 20% de fosfato de diamónio, 9% de fosfato monoamónico e os restantes 4% para em outros tipos de fertilizantes, segundo dados de 2024.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, que retaliou encerrando o estreito de Ormuz e com ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é também a via de transporte para cerca de 20% do petróleo e parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
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