
Maputo, 02 mai 2026 (Lusa) — A ministra do Trabalho de Moçambique considerou “bastante lamentável” a situação de ataques a imigrantes na África do Sul e espera que se resolva “muito rapidamente”.
“É uma situação lamentável, bastante lamentável e estamos todos muito tristes com o que temos estado a assistir”, disse Ivete Alane, ministra do Trabalho, Género e Ação Social de Moçambique, citada hoje pela comunicação social.
A governante avançou que tem estado em contacto diário com a representação de trabalho moçambicana na África do Sul e, até este momento, não há notícias oficiais de trabalhadores de Moçambique afetados.
“É nossa expectativa que a situação se resolva muito rapidamente e nós vamos continuar a acompanhar o processo e a garantir que os nossos trabalhadores não fiquem afetados por esta situação que se vive na África do Sul”, referiu Ivete Alane.
A ministra do Trabalho apelou para uma convivência pacífica, lembrando que hoje em dia se vive num mundo em que as pessoas se movimentam e que estrangeiros “existem em toda a parte”.
“Não importa onde estamos, em que país é que estamos, temos de promover um mundo de paz”, concluiu.
A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país.
Na quinta-feira, a embaixadora moçambicana na África do Sul, Maria Gustavo, pediu aos moçambicanos calma face à situação.
A responsável apelou aos moçambicanos que tenham sido vítimas da situação que contactem uma representação consular nacional próxima para “esclarecer o que terá acontecido”, que se distanciem das manifestações em curso e de locais de risco e que acompanhem as informações partilhadas pelos líderes comunitários naquele país ou comuniquem diretamente à embaixada moçambicana, caso haja problemas.
O Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), líder da oposição, pediu, no mesmo dia, ações conjuntas entre os governos moçambicano e sul-africano, apontando falhas na ação consular e diplomática.
Na quarta-feira, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) criticou o silêncio do executivo e propôs a criação de uma comissão parlamentar para abordar o problema com as autoridades sul-africanas.
Também na terça-feira, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) apelou a uma intervenção urgente junto do Governo sul-africano, manifestando preocupação com a segurança dos moçambicanos naquele país.
A África do Sul tem registado episódios recorrentes de violência xenófoba, com destaque para os incidentes de 2019, que causaram a morte de pelo menos 18 estrangeiros, segundo a Human Rights Watch.
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