
Maputo, 11 mai 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apresentou hoje um programa de transporte escolar prevendo baixar para metade o custo de viagem para estudantes, baseado numa plataforma eletrónica que também permitirá rastrear os novos autocarros e reforçar a segurança.
“Este não é apenas um investimento em mobilidade, é um investimento direto no capital humano moçambicano, na nossa juventude, que é o futuro deste país. É um investimento no futuro de Moçambique, pois é a nossa convicção que nenhuma criança deve abandonar a escola por falta de transporte ou por falta de condições dos pais”, avançou Daniel Chapo.
O Presidente moçambicano procedeu hoje à entrega de 190 autocarros movidos a gás, que vão reforçar o transporte público na cidade e província de Maputo, incluindo 40 para transporte escolar, ao mesmo tempo que é lançado, também na capital, o projeto-piloto de transporte público, que prevê um bilhete eletrónico para estudantes permitindo baixar o custo médio da viagem de 24 para 12 meticais (32 para 16 cêntimos de euro).
“Nenhum jovem deve perder a oportunidade de formação por dificuldades de deslocação. Por isso, como Governo do povo, decidimos começar de forma piloto por este projeto que gradualmente vai se expandindo para todo o país (…) Ao garantir transporte escolar seguro, acessível e organizado, estamos a criar melhores condições para o aproveitamento pedagógico, para a redução do abandono escolar e para a construção de uma sociedade mais justa e mais inclusiva”, acrescentou.
Avançou que todo o sistema vai “funcionar de forma eletrónica”, incluindo o rastreamento das viaturas, com aplicação que monitoriza em tempo real a sua localização, “garantindo maior eficiência, segurança, comodidade para os estudantes e suas famílias”.
“Não podemos falar da mobilidade sem falar de segurança rodoviária. As estradas não podem continuar a ser locais de luto e sofrimento para as famílias moçambicanas. Cada vida perdida é uma perda irreparável para a nação moçambicana”, apontou ainda Chapo, lamentando a morte, no sábado, em Nampula, no norte, de 16 pessoas, incluindo 11 crianças, no despiste de uma viatura de transporte de mercadorias que também as levava, na caixa.
“Estes autocarros estão equipados com sistemas modernos de controlo de velocidade e monitoramento operacional, visando reforçar a segurança de passageiros. Por mais que peçam o motorista destes autocarros para acelerar, estes autocarros não vão passar mais que 80 quilómetros [por hora]. Porque a segurança do povo moçambicano, para nós, está em primeiro lugar. Quem tem a pressa de chegar primeiro ao cemitério, pode apanhar um outro carro”, ironizou Chapo.
Avançou ainda que estes novos autocarros têm um dispositivo que monitoriza a disposição do motorista, alertando, por exemplo, se este adormecer.
Moçambique registou 611 acidentes de viação em 2025 que resultaram na morte de 830 pessoas, uma subida em cinco óbitos face ao ano anterior, avançou em abril a Procuradoria-Geral da República, admitindo falta de profissionalismo dos condutores.
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