Moçambique com défice de 229,3 milhões de euros para apoio a 2,2 milhões de pessoas

Maputo, 03 nov 2026 (Lusa) – Moçambique enfrenta um défice de 229,3 milhões de euros para executar o Plano Anual de Contingência 2026-2027 aos fenómenos climáticos extremos, aprovado hoje pelo Conselho de Ministros para apoiar 2,2 milhões de pessoas em risco.

“Este plano está orçado em 39,8 mil milhões de medicais [556,4 milhões de euros] e prevê-se socorrer 2,2 milhões de pessoas. Deste valor, o Governo tem disponíveis cerca de 23,4 mil milhões de meticais [327,3 milhões de euros]”, anunciou hoje o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no balanço da 32.ª sessão ordinária do órgão, em Maputo.

Segundo o governante, o Plano Anual de Contingência 2026-2027 visa, entre outros, identificar principais riscos ou ameaças e os prováveis impactos dos riscos de desastres, os cenários da população em risco, as ações multissetoriais de redução da vulnerabilidade e os meios humanos, materiais e financeiros disponíveis, bem como necessários para a assistência humanitária.

De acordo com Impissa, o financiamento agora disponível é proveniente do Fundo de Gestão de Calamidades, da avaliação de materiais disponíveis nos armazéns do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), de contribuições de parceiros de cooperação e de recursos já anunciados por estes.

“Entretanto, neste momento, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres regista um défice de 16,4 mil milhões de meticais [229,3 milhões de euros] que continuam a ser mobilizados de diferentes parceiros”, assinalou.

O porta-voz explicou que a próxima época chuvosa apresenta desafios distintos dos registados no ano anterior, devido à coexistência de fenómenos com impactos potencialmente contraditórios em diferentes regiões do país.

“Esta tem a particularidade de combinar, por um lado, cheias, inundações e ciclones e, por outro, o fenómeno El Niño, com maior probabilidade de ocorrência de chuvas muito abaixo do normal nas zonas sul e centro de Moçambique”, afirmou.

Segundo o Governo, o plano estabelece cenários de risco, ações multissetoriais de prevenção e mitigação, bem como os recursos humanos, materiais e financeiros necessários para responder a situações de emergência e prestar assistência humanitária às populações afetadas.

Moçambique é considerado um dos países africanos mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando regularmente cheias, ciclones tropicais e tempestades severas.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a última época chuvosa (outubro de 2025 a abril de 2026) causou 311 mortos e afetou cerca de 1,07 milhões de pessoas.

O fenómeno El Niño, associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico central e oriental, altera os padrões de precipitação e temperatura em várias regiões do mundo, podendo provocar secas severas e eventos extremos de precipitação.

O Governo moçambicano já alertou para impactos do fenómeno em pelo menos 52 distritos das regiões sul e centro do país e anunciou a preparação de um plano de ação nacional destinado a mitigar os efeitos da seca e da escassez de água.

LCE // VM

Lusa/Fim