
Pemba, Moçambique, 10 abr 2026 (Lusa) – A população de Litamanda, centro de Macomia, na província moçambicana de Cabo Delgado, denunciou hoje saques de campos agrícolas por supostos rebeldes, gerando medo e consequente abandono da produção pelos camponeses.
Segundo fontes da comunidade, os alegados saques começaram há uma semana em diferentes campos da zona de produção de Manangene, a cerca de 25 quilómetros da aldeia de Litamanda.
“Isso começou no princípio do mês, os terroristas andam [de] machamba em machamba [campo agrícola] a tirar culturas, sobretudo milho” disse à Lusa uma fonte a partir de Macomia.
A situação tem criado medo nos camponeses, levando-os a abandonar os campos de produção.
“Alguns estão a abandonar por medo e isso pode gerar fome. Vejamos que, além de milho, também tiram o arroz e feijões, uma cultura de rendimentos”, lamentou a fonte.
Localizada a cerca de 240 quilómetros da cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, a aldeia de Litamanda, no distrito de Macomia, faz limite com a comunidade de Miangalewa e Muidumbe, através do rio Messalo, e sofreu vários ataques desde a invasão dos grupos rebeldes.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou três eventos violentos nas duas últimas semanas, dois envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram três mortos, elevando para 6.518 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da ACLED, com dados de 23 de março a 05 de abril, dos 2.345 eventos violentos registados desde outubro de 2017, 2.174 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, com incursões também registados em Nampula, principalmente no ano passado, resultando em mais de 82 mil deslocados.
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