Moçambique/Ataques: Pelo menos 11 mil deslocados em Ancuabe e Montepuez – UE

Pemba, Moçambique, 12 mai 2026 (Lusa) – Pelo menos 11 mil pessoas foram deslocadas pelos recentes ataques armados, entre finais de abril e início de maio, nos distritos de Ancuabe e Montepuez, na província moçambicana de Cabo Delgado, estimou hoje a União Europeia (UE).

“O final de abril e o início de maio registaram uma intensificação da atividade de grupos armados não estatais na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, com ataques a civis, militares e exploração de locais de mineração”, lê-se num comunicado da Direção-Geral da Proteção Civil Europeia e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO), divulgado hoje.

Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

De acordo com o documento, os grupos armados saquearam aldeias em Ancuabe, queimaram casas, mataram, sequestraram e cometeram atos de violência sexual, destruindo também um centro de saúde e edifícios de uma igreja católica.

“Como resultado, 11.000 pessoas foram deslocadas em Ancuabe e no distrito vizinho de Montepuez”, avança a agência da UE, acrescentando que, no mesmo período, confrontos entre os extremistas e forças ruandesas e moçambicanas em Mocímboa da Praia causaram mortos ainda em número não confirmado.

“Estes repetidos episódios de violência refletem a instável segurança de Cabo Delgado, com o acesso humanitário regularmente bloqueado por confrontos e ameaças de engenhos explosivos improvisados. O deslocamento permanece fluido, com civis a realizar movimentos repetidos, frequentemente secundários, devido aos ataques”, conclui a ECHO.

Moçambique é a nação da África Subsaariana que registou o maior número de deslocações devido a catástrofes, segundo o “Relatório Global sobre Deslocações Internas 2026” publicado na segunda-feira. 

De acordo com o relatório publicado pelo Centro de Monitorização das Deslocações Internas (IDMC), uma Organização Não-Governamental (ONG) que faz parte do Conselho Norueguês para os Refugiados, os desastres desencadearam quase 2,9 milhões de deslocações na África Subsaariana em 2025 e Moçambique registou 669.000 deslocações. 

“O ciclone Dikeledi desencadeou 167.000 deslocações na província de Nampula, no norte de Moçambique, no início de janeiro, e 20.000 em Mayotte [arquipélago francês entre Moçambique e Madagascar] apenas algumas semanas depois de o ciclone Chido ter provocado mais de 536.000 e 142.000 deslocações, respetivamente”, contextualiza o documento.

Por seu turno, Moçambique registou também 339.000 deslocações em 2025 devido ao conflito existente na província de Cabo Delgado, acrescenta.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) registou 15 eventos violentos entre 20 de abril e 03 de maio em Cabo Delgado, sete envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 15 mortos, elevando o total para 6.542 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da ACLED, com dados do mesmo período, dos 2.371 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.191 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

LCE (PVJ/NYC) // JMC

Lusa/Fim