
Chimoio, Moçambique, 26 mar 2026 (Lusa) — A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) pediu hoje aos membros coesão interna e a realização do congresso do partido ainda este ano para eleger uma liderança que seja consensual, indicando ser este o caminho para vencer as próximas eleições.
“As eleições já se avizinham, nós temos que nos preparar, para podermos [escolher um] presidente à altura, de poder levar este barco avante. Se nós não tivermos uma liderança, que seja do consenso de nós todos, esse mesmo presidente vai ter dificuldades para dirigir este partido”, disse Hermínio Morais, porta-voz do encontro de quadros da Renamo reunidos na província de Manica, centro de Moçambique.
Segundo o responsável, os participantes consideram essencial que o partido avance rapidamente para decisões estruturantes, incluindo a convocação dos órgãos deliberativos.
“Então, é necessário que, realmente, a reunião do quadro seja uma realidade, ainda este ano, que o Conselho Nacional, o qual vai definir a data do Congresso, para eleição do presidente, seja uma realidade”, acrescentou.
Hermínio Morais explicou que o encontro visa identificar as causas das divisões internas e propor caminhos para reforçar a coesão partidária, numa fase considerada crítica.
“Caberá aos generais decidirem o rumo deste partido. O que é que nós pensamos, o que nós queremos”, afirmou, sublinhando o papel dos oficiais superiores na orientação estratégica da Renamo.
Por sua vez, o quadro do partido Alfredo Magumisse apelou à reconciliação interna como condição para o fortalecimento da organização.
“É importante que a família Renamo possa se reconciliar, a partir desta reunião, até aos órgãos deliberativos, porque esta é uma reunião, digamos, de consulta”, disse.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.
Em janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.
“Isto não começou com Ossufo Momade, nem com o próprio presidente Afonso Dhlakama [1953-2018]”, disse o líder partidário, referindo que a Renamo continuou ativa, apesar dos conflitos internos ao longo dos anos: “As crises aconteceram, mas nunca parámos”.
Em 2018 sucedeu a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano, na presidência do partido.
Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo.
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