Moçambicana LAM recupera de prejuízos e passa a lucros de 72,6 ME em 2025

Maputo, 13 jul 2026 (Lusa) — A estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) registou lucros de 72,6 milhões de euros em 2025, após prejuízos nos anos anteriores, beneficiando do saneamento de dívidas superior a 81 milhões de euros, segundo o relatório financeiro da companhia.

As demonstrações financeiras, a que a Lusa teve hoje acesso, indicam que a transportadora aérea estatal fechou o exercício de 2025 com resultados líquidos positivos de 5.263 milhões de meticais (72,6 milhões de euros), invertendo o prejuízo de 3.920 milhões de meticais (54,1 milhões de euros) registado em 2024.

Contudo, as receitas de vendas e serviços diminuíram de 9.350 milhões de meticais (129 milhões de euros) para 7.827 milhões de meticais (108 milhões de euros). No documento refere-se que a redução registada nas rubricas passageiros-regionais e internacionais e sobretarifas “resulta do cancelamento dos voos intercontinentais (operação Lisboa) e a redução dos voos regionais”.

As receitas provenientes de passageiros regionais e internacionais passaram de 1.263 milhões de meticais (17,4 milhões de euros) em 2024 para 386 milhões de meticais (5,3 milhões de euros) em 2025.

No relatório refere-se que “a rubrica reversão de saldos a pagar inclui perdões de dívidas efetuadas em cumprimento das instruções emitidas pelo acionista Estado Moçambicano, representado pelo IGEPE” — Instituto de Gestão das Participações do Estado –, para “o saneamento da dívida” para com empresas do Setor Empresarial do Estado.

No caso da Aeroportos de Moçambique, foi saneada uma dívida de 2.690.322.406 meticais (37,1 milhões de euros) e com a Petróleos de Moçambique uma dívida de 3.203.627.951 meticais (44,2 milhões de euros).

A reversão de saldos a pagar totalizou 5.894 milhões de meticais (81,3 milhões de euros).

A companhia enfrenta há vários anos problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves, estando atualmente num profundo processo de reestruturação.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) aprovou em 2025 a aquisição de 25,2% do capital social da LAM, no âmbito do processo de reestruturação da companhia aérea, seguida pela Emose e pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), cada uma com 15,4%.

De acordo com a Conta Geral do Estado de 2025, a HCB, empresa pública, aprovou um investimento de 36 milhões de dólares (30,8 milhões de euros) nesse processo e a criação da Fly Moz, entidade que tem o “objetivo de garantir financiamentos à LAM”, também estatal.

Neste processo de reestruturação da LAM, aprovado em 2025 pelo Governo moçambicano, outras duas empresas públicas investiram e entraram no capital social da companhia aérea de bandeira.

A seguradora Emose aprovou um investimento de 22 milhões de dólares (18,8 milhões de euros), “passando a ser detentor de 15,40% na estrutura acionista da LAM”, tal como a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, conforme refere a Conta Geral do Estado.

No documento é referido ainda que o Estado subsidiou diretamente a LAM com 255,4 milhões de meticais (3,4 milhões de euros) em 2025.

Há um ano foi anunciada a intenção de alienar 91% do capital social da LAM, mas as operações entretanto concretizadas representam ainda 56% da estrutura acionista da companhia.

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