MNE brasileiro vai a Moscovo acelerar fornecimento de fertilizantes russos

Nova Deli, 14 mai 2026 (Lusa) – O ministro das Relações Exteriores brasileiro esteve hoje reunido com o seu homólogo russo em Nova Deli, onde participaram no encontro do grupo BRICS, tendo indicado que irá a Moscovo para abordar o fornecimento de fertilizantes russos ao Brasil.

A visita, para a qual não foi divulgada uma data, foi acordada entre Mauro Vieira e o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, à margem da cimeira de ministros dos Negócios Estrangeiros do grupo BRICS.

A diplomacia brasileira confirmou, em comunicado, que durante a agenda bilateral, “acordaram uma futura visita de Mauro Vieira a Moscovo, com ênfase nas relações económico-sociais e no suprimento de fertilizantes russos para o mercado brasileiro”, uma das principais potências agropecuárias mundiais.

A Rússia é atualmente um dos maiores fornecedores de fertilizantes para o setor agrícola do Brasil, país-chave no abastecimento mundial de determinados produtos agrícolas, como a soja, o café e o açúcar.

O Brasil prevê colher este ano um recorde de 348,7 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, segundo as últimas estimativas oficiais.

O país sul-americano depende das importações de fertilizantes para as suas culturas.

De acordo com o Governo brasileiro, os dois chefes da diplomacia “discutiram temas da agenda global, entre eles os processos negociadores em curso sobre as guerras na Ucrânia e no Irão, a agenda do G20 e a sucessão de António Guterres à frente da secretaria-geral da ONU”.

A reunião ministerial dos BRICS — grupo do qual Brasil e Rússia são fundadores – ocorre num contexto de crescentes divergências internas no bloco, que conta entre os seus membros com o Irão e os Emirados Árabes Unidos, tendo este último sido alvo de ataques por parte de Teerão no âmbito do conflito na região do golfo iniciado com ataques ao país persa pelos Estados Unidos e Israel.

O encontro entre os chefes da diplomacia do Brasil e da Rússia teve lugar num dia marcado por tensão após a denúncia da Índia de um ataque contra um dos seus navios mercantes ao largo da costa de Omã.

Tanto a Índia, outro dos países fundadores dos BRICS, como o Brasil têm procurado funcionar como ponte diplomática para ultrapassar as divisões abertas entre os países do Golfo e o Irão, que se sentaram frente a frente a este nível ministerial pela primeira vez desde o início das hostilidades e posaram para uma fotografia de família simbólica em plena tensão.

 

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