Mistério RCMP: Violência de manifestantes obriga a proteger identidade de oficiais

FOTO: ALEX TWITTER
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A Royal Canadian Mounted Police recusou-se a divulgar os crachás dos oficiais que libertaram os manifestantes do “Freedom Convoy” da Ambassador Bridge no inverno passado, citando um risco de violência por parte dos apoiantes. A situação foi detalhada à Comissária Brenda Lucki

Documentos internos mostram que a Royal Canadian Mounted Police se recusou a divulgar o número de crachás dos oficiais que libertaram, na Ambassador Bridge, os manifestantes do chamado grupo ‘Freedom Convoy’ no inverno passado, devido a preocupações com a violência do grupo.

A situação foi detalhada na nota de informação e avaliação de ameaças preparada para a Comissária da RCMP, Brenda Lucki, a quem foi pedido que aprovasse a decisão porque a força reconheceu que levantava questões sobre transparência.

O memorando, escrito em agosto, foi tornado público agora ao abrigo da Lei de Acesso à Informação.

A lei, que permite aos membros do público solicitar ficheiros a agências federais, está na origem deste caso.

O memorando à Comissária afirma que a RCMP recebeu um pedido de acesso solicitando os nomes e números de crachá de cada oficial envolvido na libertação dos manifestantes da Ambassador Bridge, em Windsor, na província de Ontário.

Em fevereiro, os manifestantes que estavam contra medidas sanitárias relacionadas com a Covid-19 bloquearam a movimentada travessia da fronteira Canadá-EUA durante quase uma semana, suscitando preocupações sobre o custo económico.

A ponte foi reaberta a 13 de fevereiro depois de a RCMP e outros agentes da polícia terem usado uma ordem judicial para forçar os manifestantes a afastarem-se da travessia de Windsor.

Brenda Lucki foi mais tarde informada de que o Comandante da Divisão de Ontário do RCMP estava entre os que tinham “levantado preocupações significativas” sobre a libertação de números de crachás e nomes dos envolvidos “dado o grande número de ameaças contra o pessoal envolvido nos protestos”.

Para ilustrar o seu ponto de vista, a RCMP de Ontário preparou um pacote de inteligência contendo capturas de ecrã de 12 mensagens partilhadas no grupo do Telegram chamado de “Convoy to Ottawa 2022”.

Numa mensagem, um utilizador escreveu: “Estes porcos merecem morrer por completo”. Outro sugeriu que os agentes deveriam ter a informação pessoal divulgada no grupo.

Alguns membros da RCMP também relataram ter recebido ameaças de morte, inclusive contra as próprias famílias, depois de os nomes e números de telemóvel terem sido divulgados numa conversa privada no Facebook.

A porta-voz do RCMP Robin Percival disse numa declaração que a força reteve a informação, porque se podia “esperar que ameaçasse a segurança” dos oficiais.

Assim sendo, tudo isto é permitido ao abrigo de uma secção da Lei de Acesso à Informação, embora a isenção possa ser contestada junto do Comissário Federal de Informação, que investiga as queixas relacionadas com a lei de acesso.