
Maputo, 07 mai 2026 (Lusa) – O ministro da Saúde moçambicano defendeu hoje uma ação coletiva e coragem no “combate frontal” à corrupção, desperdício, roubo e desvio de fármacos, queixando-se que a situação enfraquece o sistema de distribuição de medicamentos.
“Devemos sair deste conceito de logística farmacêutica, primeiro, com medidas concretas para reduzir o desperdício na cadeia de medicina. Segundo, com ações firmes do combate ao roubo e à corrupção, este que é um problema que temos na cadeira das decisões. Terceiro, com mecanismos claros de responsabilização a todos os níveis”, disse o ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a abertura do segundo conselho nacional de Logística Farmacêutica, em Maputo.
O governante exigiu ainda vontade e coragem como formas de o setor de abastecimento de fármacos ultrapassar os desafios, num evento que contou com a participação de parceiros de cooperação do ministério, diretores de hospitais centrais e provinciais, representantes de instituições públicas e privadas, visando harmonizar as atividades relacionadas com a gestão e o funcionamento da instituição pública Central de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM).
“Temos de ter coragem para mudar, coragem para corrigir e acima de tudo coragem para responsabilizar, se for preciso. Por isso, acho que se atuarmos em bloco, em cadeia, vamos alcançar resultados”, frisou o ministro, considerando a reunião um momento para mudar a realidade do país na disponibilidade de medicamentos.
Ussene Isse apontou ainda a ação humana na falta de medicamentos, apelando à intervenção dos responsáveis das centrais de medicamentos para a responsabilização dos autores.
“São pessoas que estão a estragar o nosso sistema de abastecimento de medicamentos. Por isso, a responsabilização, quer a nível central, provincial, distrital, será um imperativo e uma prioridade. Colegas, não podemos continuar a diluir as responsabilidades que nos esperam”, disse o governante, acrescentando: “Temos que assumir desta responsabilidade coletiva e juntos caminharmos para soluções”.
As autoridades moçambicanas apreenderam no primeiro trimestre do ano um total de 101.600 medicamentos desviados do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e realizaram duas detenções, incluindo um profissional da saúde, conforme disse anteriormente à Lusa o porta-voz da Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento (Anarme) moçambicana, Cassiano João, referindo que os produtos eram vendidos nas farmácias e outros revendedores autorizados.
Foram ainda apreendidos outros 1.196 produtos farmacêuticos desviados do serviço privado de saúde.
Os dados dos primeiros três meses indicam que, do global de apreensões em resultado da fiscalização de 133 farmácias, clínicas e supermercados, cerca de mil fármacos eram estimulantes sexuais, numa lista que inclui ainda metformina, antimaláricos e bupivacaina injetável falsificada.
Cassiano João adiantou que foram detidas pelo menos duas pessoas num total de 11 envolvidos nos casos, dos quais um profissional de saúde suspeito de desvio de medicamentos do SNS, todos com processos-crime abertos pelas autoridades moçambicanas.
Segundo o porta-voz, é preciso “evitar comprar medicamentos fora dos locais não autorizados, evitar adquirir produtos vendidos ‘online’ e evitar adquirir produtos sem prescrição de um profissional de saúde”.
Em janeiro, as autoridades anunciaram que Moçambique recuperou 5.100 doses dos cerca de 844.860 tratamentos anti-palúdicos desviados em dezembro no armazém central da Machava, província de Maputo, no sul do país.
O ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar recentemente “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, referindo-se aos recentes casos conhecidos de roubo de medicamentos nas unidades sanitárias.
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