
Miranda do Corvo, Coimbra, 13 jul 2026 (Lusa) — A ministra da Saúde disse hoje aguardar pelos esclarecimentos do INEM sobre o acionamento de bombeiros de Guimarães para socorrer um homem em paragem cardiorrespiratória na vila das Taipas, quando a corporação local tinha meios disponÃveis.
“O Governo, neste momento, aguarda a clarificação da parte do INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica]”, afirmou Ana Paula Martins, à margem da inauguração da requalificação do Centro de Saúde de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra.
Aos jornalistas, a ministra referiu que o INEM “está a avaliar essa situação”, para “perceber por que é que não foram os bombeiros das Taipas e teve que ser acionado a VMER [Viatura Médica de Emergência e Reanimação] e a outra unidade de uma corporação de bombeiros mais distante”, remetendo declarações para mais tarde.
“Certamente que o presidente do INEM muito rapidamente virá explicar o que é que se passou. Acho que é importante ouvirmos aquilo que tem para dizer e eu aguardaria a comunicação dele”, salientou.
O INEM anunciou, no domingo, que irá averiguar por que motivo foram enviados os Bombeiros Voluntários de Guimarães para socorrer na vila das Taipas um homem, de 48 anos, em paragem cardiorrespiratória, que acabou por morrer no local, como noticiou a Lusa.
A ocorrência registou-se no sábado, na vila das Taipas, concelho de Guimarães, distrito de Braga, apesar de a corporação local dispor de todos os meios operacionais.
Os Bombeiros Voluntários das Taipas demorariam entre 3 e 5 minutos a chegar à vÃtima, segundo o comandante em exercÃcio desta corporação, enquanto os Bombeiros de Guimarães distam cerca de nove quilómetros e perto de 14 minutos da Avenida dos Combatentes do Ultramar, local da ocorrência e que é área de atuação da corporação das Taipas.
Hoje, a Fénix — Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil exigiu “esclarecimento imediato sobre falhas operacionais do INEM”, alertando para “a degradação” do socorro em Portugal.
“A Fénix entende que este caso não pode ser tratado como um simples episódio isolado ou reduzido a uma eventual falha operacional. A repetição de situações desta natureza exige uma análise séria, transparente e independente sobre a capacidade atual do Serviço Médico de Emergência em Portugal”, referiu a associação num comunicado enviado à agência Lusa.
Também a Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) considerou, no domingo, que o episódio representa “mais um sinal preocupante” do estado do Sistema Integrado de Emergência Médica e da capacidade do INEM para coordenar e regular a resposta pré-hospitalar.
“Independentemente das conclusões da averiguação em curso, existe uma realidade que não pode continuar a ser ignorada”, defendeu a ANTEM, em comunicado, sustentando que os problemas do instituto não são pontuais nem um episódio isolado.
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