
Kiev, 11 abr 2026 (Lusa) – A Rússia continuou a atacar posições ucranianas após a entrada em vigor do cessar-fogo da Páscoa Ortodoxa declarado por Moscovo, afirmou hoje um oficial do exército ucraniano.
“O cessar-fogo não está a ser respeitado pelo lado russo”, afirmou o oficial de comunicações da 148.ª Brigada de Artilharia, Serhii Kolesnychenko, à agência de notícias Associated Press (AP).
O militar disse que, embora o fogo de artilharia tivesse cessado no setor onde a sua brigada operava, na junção das regiões de Donetsk, Dnipropetrovsk e Zaporijia, as forças russas continuaram a utilizar drones para atacar posições ucranianas.
As forças ucranianas estavam a responder com “silêncio ao silêncio e fogo ao fogo”, disse Kolesnychenko.
O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira um cessar-fogo de 32 horas durante o fim de semana da Páscoa Ortodoxa, ordenando às forças russas que suspendessem as hostilidades até ao final do domingo.
Por sua vez, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, prometeu respeitar o cessar-fogo, descrevendo-o como uma oportunidade para avançar com iniciativas de paz.
No entanto, advertiu que as forças ucranianas iriam responder a quaisquer violações.
“A Páscoa deve ser um momento de silêncio e segurança. Um cessar-fogo na Páscoa também pode tornar-se o início de um verdadeiro movimento em direção à paz”, escreveu Zelensky numa publicação na rede social Telegram.
“Hoje foram definidos os parâmetros da nossa resposta a possíveis violações dos termos do cessar-fogo por parte do exército russo”, afirmou o líder ucraniano, reiterando que ambiciona uma “prorrogação do cessar-fogo para além da Páscoa”.
A Ucrânia propôs anteriormente à Rússia uma pausa nos ataques às infraestruturas energéticas de cada um dos lados durante o feriado da Páscoa Ortodoxa.
As tentativas anteriores de cessar-fogo tiveram pouco impacto, com ambas as partes a acusarem-se mutuamente de violações.
Este é o quarto cessar-fogo desde o início da invasão russa em 2022, cujas negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos, estão num impasse há quase dois meses devido ao conflito no Irão.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, descreveu na sexta-feira a iniciativa de Putin como um gesto humanitário, mas afirmou que Moscovo continua empenhado numa solução abrangente baseada nas suas exigências de longa data.
A Rússia e a Ucrânia anunciaram também hoje a troca de 350 prisioneiros de guerra, 175 de cada lado, com a mediação dos Emirados Árabes Unidos, poucas horas antes da entrada em vigor prevista de um cessar-fogo pascal.
“A 11 de abril, 175 militares russos foram repatriados do território controlado por Kiev. Em troca, foram entregues 175 prisioneiros de guerra das forças armadas ucranianas”, indicou o Ministério da Defesa russo, num comunicado publicado na aplicação estatal MAX.
Por seu lado, Zelensky indicou que os militares ucranianos libertados tinham sido capturados na cidade costeira de Mariupol (sul), tomada pela Rússia em 2022, ou na central nuclear de Chernobyl, bem como nas regiões de Donetsk, Lugansk, Kharkiv, Kherson, Zaporijia, Sumy e Kiev e na região russa de Kursk.
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