
Londres, 14 mar 2026 (Lusa) – Milhares de apoiantes do regime iraniano juntaram-se hoje em Londres, na Inglaterra, para celebrar o Dia Internacional de Al-Quds, de apoio à causa palestiniana, numa manifestação não autorizada pelas autoridades e que esteve sob forte presença policial.
Segundo a agência Efe, que cita fontes policiais, foram cerca de cinco mil os apoiantes do regime de Teerão que se juntaram nas margens do rio Tamisa para uma marcha organizada pela Comissão Islâmica de Direitos Humanos (IHRC, em inglês) e exibiram cartazes com o rosto do falecido aiatola iraniano Ali Khamenei, do filho, o novo líder supremo da República Islâmica, Mojtaba Khamenei, acompanhados da frase “Escolhe o lado certo da história”.
Ao mesmo tempo, do outro lado do rio, e separados por um enorme cordão policial de agentes, camiões e até barcos, decorreu uma contramanifestação organizada pelo grupo pró-israelita ‘Stop The Hate’, com apenas uma centena de pessoas, onde se podiam ler cartazes com ‘slongs’ como “Hamas terrorista”, ao lado de bandeiras de Israel, dos Estados Unidos ou das imperiais do Irão, com o leão no centro.
Para evitar o confronto entre os manifestantes, a Polícia Metropolitana de Londres encerrou o trânsito numa das pontes próximas ao local e, segundo a Efe, as duas manifestações decorreram com relativa normalidade, resultando em apenas três detenções: uma por “manifestação de apoio a uma organização proibida, outra por condução imprudente e outra por comportamento ameaçador e abusivo”, indicaram as autoridades na rede social X, cita a Efe.
A Efe relata que constatou no local que as autoridades revistaram “quase individualmente cada manifestante” e interrogaram um deles que empunhava um cartaz no qual se podia ler a palavra “Hezbollah”, a milícia xiita libanesa considerada uma organização terrorista no Reino Unido.
Entre os manifestantes abundavam ‘kufiyas’, o lenço tradicional palestiniano, e bandeiras palestinianas, misturadas com bandeiras da República Islâmica, do Líbano ou outras com o rosto do Presidente norte-americano, Donald Trump, acompanhadas da frase “Procurado por homicídio”.
“Esta marcha tem-se realizado há 40 anos consecutivos e este é o primeiro ano em que decidiram cancelá-la. Estão muito preocupados, têm medo porque o mundo se voltou contra o sionismo e viram o que fizeram em Gaza”, afirmou o escritor e ex-político trabalhista George Galloway, citado pela Efe.
A marca Al-Quds foi esta semana proibida pela ministra do Interior britânica, Shabana Mahmood, a pedido da Polícia Metropolitana, que alertou para o risco de “graves distúrbios públicos”, depois dos organizadores terem manifestado publicamente o seu apoio ao falecido líder iraniano, assassinado em 28 de fevereiro, no início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
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