
Lisboa, 08 abr 2026 (Lusa) — O músico Miguel Araújo inicia em Tábua, em outubro, uma série de concertos de voz e piano, batizados “Passemos aos Salões”, que se estendem até dezembro, passando por Lisboa, Miranda do Corvo e Bragança, foi hoje anunciado.
O primeiro concerto em formato intimista “Passemos aos Salões” está marcado para 10 de outubro, no Centro Cultural de Tábua, de acordo com o agenciamento do músico, num comunicado hoje divulgado.
“Passemos aos salões” será depois apresentado em Almada, no dia 21 de novembro, na Academia Almadense; em Lisboa, em 25 de novembro, no Teatro São Luiz; em Miranda do Corvo, a 28 de novembro, na Casa das Artes; e em Bragança, em 05 de dezembro, no Teatro Municipal.
O último dos concertos de Miguel Araújo, a solo, com voz e piano, está marcado para 19 de dezembro no Teatro Principal de Santiago de Compostela, na região espanhola da Galiza.
Segundo o agenciamento do artista, esta série de concertos “aproxima-se da ideia de serão: um formato despojado onde as canções ganham tempo, contexto e respiração”.
“Sozinho em palco, Miguel Araújo revisita temas incontornáveis do seu repertório, ao mesmo tempo que partilha histórias e detalhes do processo de escrita que lhes deu origem. Cada noite constrói-se, assim de forma única, ao ritmo da palavra e da música, num equilíbrio entre a precisão do compositor e a espontaneidade de quem nunca separa totalmente a canção da vida que a rodeia”, lê-se no comunicado.
Miguel Araújo está atualmente a apresentar ao vivo o seu álbum mais recente, “Por fora ninguém diria”, editado em 01 de janeiro deste ano.
Aquele que é o primeiro álbum de Miguel Araújo em nome próprio, desde “Chá Lá Lá” (2022), inclui onze canções inéditas, “todas escritas, compostas, produzidas e interpretadas pelo artista”. Gravado ao longo de 2023, 2024 e 2025, no Estúdio Chiu, no Porto, o álbum reúne “músicas que não sabiam ainda que seriam editadas”.
Miguel Araújo celebrou no ano passado, com uma série de concertos no Porto e em Lisboa, 20 anos de uma carreira que começou de forma “displicente” e acabou por se tornar um caso sério.
Foi “no auge do percurso com Os Azeitonas”, em 2012, que Miguel Araújo decidiu gravar e editar o álbum “Cinco dias e meio”, “por uma questão de purga”, para dar vida às muitas músicas que tinha “paradas na gaveta” e não iam para o repertório da banda.
“Quando fiz o meu disco, não pensei que fosse ter um concerto sequer, tanto que não fiz banda. Isso prova o quão confiante estava na minha carreira a solo”, referiu, em entrevista à Lusa em outubro.
Um dos temas do álbum, “Os maridos das outras”, trocou-lhe as voltas. As coisas foram acontecendo e crescendo, tanto que a dada altura tornou-se incompatível continuar n’Os Azeitonas e Miguel Araújo acabou por deixar a banda em 2016.
Esse foi o ano em que, com António Zambujo, esgotou a lotação do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em 15 noites, e a do Coliseu do Porto, em 13.
As 28 noites ao vivo nos coliseus deram origem a um álbum, editado em 2018, e em 2023 os dois voltariam a juntar-se para mais concertos: na MEO Arena, na Super Bock Arena e no Coliseu Micaelense, em São Miguel, nos Açores.
Esgotar tantas salas era algo que Miguel Araújo não conseguia projetar quando começou: “Não podia imaginar tal coisa”.
Miguel Araújo compõe também para outros músicos. É dele a autoria, por exemplo, de “Pica do 7”, de António Zambujo, “Ventura”, de Carminho, “Ciúme”, de Ana Bacalhau, e “A cara dela”, de Luís Trigacheiro com Salvador Sobral.
Dos vários álbuns que editou a solo, entre originais e ao vivo, a maioria saiu em edição de autor, algo que faz sentido para alguém que gosta “das partes todas que envolvem a música, até das partes burocráticas”.
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