Migrações: Gilbraltar vai criar sistema de alta segurança na fronteira até julho

Algeciras, Espanha, 17 abr 206 (Lusa) – O Governo de Gibraltar vai aplicar um sistema de segurança, que inclui videovigilância ao longo da fronteira, para reforçar a proteção do território antes da entrada em vigor, em julho, do tratado entre Reino Unido e União Europeia.

O território, que se situa no sul de Espanha e tem um Governo autónomo, pertence oficialmente ao Reino Unido e constituía último grande aspeto pendente do ‘Brexit’.

Depois de anos de negociações difíceis, até porque Madrid reivindica a soberania sobre o território, o Reino Unido e a União Europeia chegaram a um acordo, cuja entrada em vigor deverá acontecer a 5 de julho, para eliminar as barreiras físicas na fronteira com Espanha e garantir a livre circulação de pessoas e bens.

Para garantir a segurança do território antes da entrada oficial do território no espaço Schengen, o Governo de Gibraltar vai instalar uma rede de videovigilância de alta qualidade em todo o território, incluindo uma vedação ao longo de toda a fronteira, explicou, em comunicado hoje divulgado.

De acordo com o plano, serão instaladas 26 câmaras desde a Praia Ocidental até à Praia Oriental, proporcionando uma cobertura contínua, sem ângulos mortos, e permitindo a monitorização constante dos movimentos na fronteira.

O sistema será reforçado com a instalação de iluminação de segurança em toda a zona fronteiriça.

Os postes serão equipados com sistemas antiescalada e antivandalismo e serão instaladas câmaras de reconhecimento facial em pontos estratégicos, como as entradas do Túnel Kingsway, o aeroporto e o novo Centro de Agências Conjuntas, para monitorizar os movimentos e prevenir crimes, explicou o Governo autónomo.

Estes dispositivos permitirão a monitorização eficaz das deslocações de entrada e dentro de Gibraltar “em todos os momentos”, facilitando o trabalho das autoridades na prevenção e deteção de crimes, acrescentou.

Além disso, será adotada uma rede de 60 câmaras de videovigilância na Main Street, Casemates, Landport e áreas adjacentes.

Este sistema vai anda integrar 12 câmaras de reconhecimento facial em cruzamentos importantes da Main Street, criando um sistema abrangente de vigilância estratégica com o objetivo de “reforçar a segurança pública, melhorar a resposta a incidentes e apoiar as investigações policiais”.

Todo o sistema será continuamente controlado a partir de um centro de controlo de operações localizado no Aeroporto de Gibraltar, permitindo uma monitorização 24 horas por dia, sete dias por semana, e uma capacidade de resposta rápida, concluiu.

Embora o território de Gibraltar tenha controlos rigorosos, as águas circundantes (o Estreito de Gibraltar) continuam a ser uma das rotas mais ativas e perigosas para a migração irregular com origem em vinda.

Milhares de pessoas utilizam embarcações precárias para cruzar os 14 km que separam África de Espanha, sendo frequentemente resgatadas por serviços de salvamento marítimo na região de Algeciras e Gibraltar.

No início deste ano, a rota do Mediterrâneo Ocidental (que inclui o Estreito de Gibraltar) registou um aumento de 14% nas travessias face ao ano passado, apesar de uma tendência de queda noutras zonas da Europa.

O primeiro trimestre de 2026 foi considerado um dos períodos mais letais na região, com mais de 600 mortes ou desaparecimentos registados no Mediterrâneo até fevereiro.

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