Messi não se vê a jogar “por muito mais tempo” em carta de despedida ao pai

Miami, Estados Unidos, 13 ago (Lusa) – O futebolista argentino Lionel Messi admitiu não ter a certeza se continuará a jogar futebol “por muito mais tempo” sem o seu “pai, amigo e agente”, Jorge Messi, que faleceu no sábado.

“Não sei o que vou fazer sem ti, não sei como seguir em frente. Só jogava futebol, e agora tenho sérias dúvidas se vou continuar por muito mais tempo”, escreveu Messi, de 39 anos.

Numa carta de despedida, publicada na rede social Instagram na quarta-feira, o campeão do mundo em 2022 refletiu sobre a ausência do pai, que já estava doente, durante o recente Mundial, onde a Argentina perdeu na final contra a Espanha.

“Pediste-me para jogar no último Mundial, e alguns dias antes do início, o teu estado de saúde agravou-se. Foi a primeira vez que não estiveste lá”, explicou Messi.

“Apesar de tudo, continuei a pensar em ir o mais longe possível, para te dar tempo e para que pudesses assistir a um jogo”, acrescentou o futebolista.

“Chegámos à final e tu não podias estar lá. Eu queria ganhar para te trazer a vitória”, mas “as minhas pernas já não me obedeciam. Desta vez, tentei forçar o meu corpo, mas não consegui”, concluiu o oito vezes vencedor da Bola de Ouro.

Em resposta à carta do argentino, o rival de sempre, o português Cristiano Ronaldo, enviou-lhe um mensagem de apoio.

“Os meus pensamentos estão contigo e com a tua família neste momento difícil, Leo. Força”, escreveu Cristiano Ronaldo.

Messi regressou aos relvados na quarta-feira, entrando como suplente no início da segunda parte do jogo da Taça das Ligas entre o Inter Miami e os mexicanos do León.

Mas o León venceu por 2-3, com a equipa norte-americana a ser eliminada da competição, que reúne anualmente as melhores formações dos Estados Unidos e do México.

Jorge Messi, pai e empresário do jogador argentino Lionel Messi, morreu em 08 de agosto num hospital em Rosário, Argentina, aos 68 anos, vítima de doença prolongada.

O pai do jogador argentino, nascido em 1958 na província argentina de Santa Fé, foi determinante para a carreira do seu filho Lionel, de quem foi representante e administrador do património familiar.

A sua influência estendeu-se desde o início do percurso do capitão argentino, tendo sido o seu primeiro treinador na Argentina e o seu único companheiro na mudança para Barcelona em 2000, após o jovem ter passado pela formação do Newell’s Old Boys.

Acompanhou o oito vezes vencedor da Bola de Ouro na Catalunha até 2021, assumindo a gestão dos seus contratos e continuando a ser o agente do atual jogador do Inter Miami.

Durante o Mundial de 2026, o estado de saúde de Jorge Messi gerou preocupação e alguns meios de comunicação social argentinos chegaram mesmo a noticiar a sua morte, o que foi desmentido, tendo a família indicado que o pai do atleta argentino se encontrava sob acompanhamento médico, em recuperação e com evolução favorável.

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