Menos escolas fechadas em França, mas estudantes e professores convocam mais protestos

Paris, 09 out 2026 (Lusa) – O ministério da Educação francês anunciou hoje que há menos escolas secundárias afetadas pelos protestos estudantis em França do que na quinta-feira, mas 141 continuam encerradas. 

Segundo o Governo, os 141 estabelecimentos de ensino afetados representam menos de 4% dos 3.700 liceus franceses e é inferior aos 157 fechados na quinta-feira.

Alguns liceus têm as aulas suspensas por questões de segurança, enquanto outros em Paris e noutras cidades continuam com os portões barricados para impedir a entrada de professores e alunos.

Os chamados ‘bloqueios’ [blocages] são improvisados com caixotes do lixo, bicicletas de aluguer, caixas de papelão e outros objetos, como peças de mobiliário abandonadas ou grades de ferro.  

Os protestos estenderam-se a algumas universidades, mas o corpo de intervenção CRS interviu esta manhã em frente à Universidade de Assas, na capital francesa, para remover a barricada por alegado “risco de incêndio” na via pública.

Após o dia de manifestações estudantis de quinta-feira, nas quais participaram 71.500 pessoas em França, das quais 24.500 em Paris, segundo o Ministério do Interior, organizações sindicais de estudantes e estudantes convocaram novos protestos e greves para terça-feira, dia 13 de outubro. 

“As reivindicações dos alunos do ensino secundário são legítimas. Coincidem, em parte, com as que defendemos em numerosas mobilizações nos últimos anos. Por isso, continuamos a apoiá-las. O movimento social encontra-se hoje numa posição de força”, refere um comunicado emitido hoje por seis sindicatos.

O Governo tem procurado apaziguar o descontentamento, tendo o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciado a colocação imediata de três mil professores nas escolas mais carenciadas. 

Além da insuficiência de professores, os estudantes pedem também a redução do número de alunos por sala de aula e dos horários, a melhoria das instalações e a eliminação ou reforma do sistema de admissão à universidade (Parcoursup).

Os protestos têm sido marcados por atos de vandalismo por parte dos estudantes, que o ministro quer hoje destacar ao visitar o liceu de Cachan, nos arredores de Paris, cenário de “violência intolerável”. 

“As equipas pedagógicas passaram por momentos muito difíceis aqui. [A escola] foram atacadas e parcialmente saqueada”, lamentou Geffray, em declarações aos jornalistas, “privando milhares de alunos de aulas”.

O Ministério do Interior denunciou, num comunicado na quinta-feira, o aumento da violência urbana à margem das manifestações, mas os estudantes queixam-se de violência policial. 

Segundo o jornal Le Monde, a procuradoria de Paris abriu hoje uma investigação a uma alegada agressão de um polícia com o joelho a um jovem durante a manifestação em Paris. 

BM // APN

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