
Leiria, 28 jul 2026 (Lusa) — A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria criticou hoje a “falta de resposta das seguradoras” às câmaras municipais e empresas, seis meses depois de a depressão Kristin ter atingido gravemente este território.
“Outra enorme preocupação é a falta de resposta das seguradoras. Quer câmaras municipais, quer empresas, continuam sem qualquer tipo de resposta das seguradoras”, afirmou aos jornalistas o presidente da CIM, em Leiria, onde hoje se reuniu o Conselho Intermunicipal.
Integram a CIM os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
Jorge Vala adiantou que “os dez presidentes de câmara são unânimes em dizer que nenhum deles tem sequer a validação dos prejuízos por parte das seguradoras”.
“Houve alguns adiantamentos, efetivamente, nas não passou de adiantamentos e nós não fazemos ideia qual é o balanço, o valor e o significado, na perspetiva das seguradoras, dos prejuízos que foram comunicados pelos municípios”, explicou Jorge Vala.
O autarca, também presidente do Município de Porto de Mós, adiantou que a depressão Kristin provocou “um rombo de cerca de 40% economia” da Região de Leiria, frisando ser importante perceber-se que este rombo “tem um significado muito importante”.
“Não sabemos ainda qual é a capacidade das empresas se manterem ativas. Isto pode ter consequências para os seus trabalhadores, em primeiro lugar, depois para as famílias”, prosseguiu, para assinalar que se “estão a acabar os apoios do Estado” que “têm sido muito importantes”.
A este propósito, alertou que “algumas empresas que já vinham vivendo alguma dificuldade, hoje acentuou-se essa enorme dificuldade”.
O autarca acrescentou que a Região de Leiria reivindica “uma atenção especial” do Estado, “nomeadamente com a criação de uma grande área de localização empresarial”, que “seja uma região piloto na área da resiliência energética e de comunicações, e seja sobretudo uma zona onde se possa criar um ‘hub’ sobre energias verdes, energias renováveis”.
Na segunda-feira, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) divulgou que o número de sinistros participados devido ao mau tempo que atingiu o país no início do ano ultrapassou os 219 mil
“Até à data foram participados mais de 219 mil sinistros em resultado do ‘comboio de tempestades’, destes aproximadamente 85% são de particulares e 15% de empresas”, revelou a APS, esclarecendo que se estima, neste momento, “um custo total na ordem dos 1.400 milhões de euros”.
A APS estimou que “a taxa de regularização global se situe em torno dos 90%, sendo um pouco mais baixa nas empresas (89%) e um pouco mais elevada nos particulares (91%)”.
Questionada sobre o número de sinistros reportados por entidades públicas, como câmaras municipais ou juntas de freguesia e qual o valor já pago por seguradoras, a APS justificou não dispor “de informação com este nível de granularidade”.
Este mês, a CIM anunciou que quer acolher uma das seis grandes áreas empresariais do país, tendo remetido ao Governo um plano estratégico nesse sentido.
“A proposta tem por base o Plano Estratégico para o Desenvolvimento de uma Rede de Áreas Empresariais e Parques Tecnológicos da Região de Leiria, documento que sistematiza um modelo de desenvolvimento territorial já em preparação pela CIM e pelos cinco municípios envolvidos [Ansião, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós]”, adiantou o comunicado.
De acordo com a CIM, a proposta assenta numa rede de cinco áreas de localização empresarial: Camporês (Ansião), Monte Redondo (Leiria), Zona Industrial da Marinha Grande, Carriço/Guia (Pombal) e Zona Industrial de Porto de Mós.
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