
Oeiras, 25 mai 2021 (Lusa) — A ministra da Saúde, Marta Temido, reafirmou hoje a atenção à saúde mental como uma prioridade do Governo e defendeu que o serviço público não significa prestar um serviço de “menor qualidade”.
Num discurso realizado na inauguração das instalações provisórias da Unidade de Saúde Mental de Oeiras, integrada no Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental de adultos do Centro Hospitalar Lisboa Oriental (CHLO), a governante justificou a sua presença com uma “razão afetiva”, pela importância desta área, sublinhando que é necessário “continuar a aprofundar” a aposta com uma “filosofia de intervenção comunitária”.
“Qualificar a forma como se acede aos cuidados de saúde mental e reforçar as respostas de proximidade são as prioridades da nossa ação. É um investimento largamente compensado pelos ganhos em saúde e pela diminuição dos custos diretos e indiretos associados. Sabemos que o Serviço Nacional de Saúde tem recursos finitos, mas tem a competência e a capacidade para liderar na articulação com as respostas já existentes”, afirmou.
Centrando a resposta da saúde mental “nas pessoas e na sua recuperação pessoal”, Marta Temido, enfatizou a mudança de perceção sobre esta área nos últimos anos, num caminho trilhado pela “evolução psicofarmacológica”, mas também pela “vontade de construir uma organização dos modelos de atenção à s necessidades de saúde mental”, segundo as carências das pessoas com problemas a este nÃvel.
Paralelamente, a ministra da Saúde alertou para a importância de uma intervenção mais precoce dos cuidados de saúde, ao explicar que metade das perturbações mentais começa na juventude e que a maioria não é detetada de forma atempada.
“Daà esta nossa necessidade de apostar e intervir cada vez mais precocemente e reclamar para a saúde mental a certeza de que se mudarmos o inÃcio da história, mudamos a história. Intervir mais cedo pode contribuir para resolver todo um processo”, referiu.
No evento estiveram também presentes a presidente do CHLO, Rita Perez, e o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais. E foi depois de o autarca destacar a superação dos profissionais de saúde ao longo da pandemia de covid-19 que Marta Temido veio, a partir do exemplo do trabalho dos profissionais desta unidade de saúde mental, defender a capacidade do serviço público.
“Talvez a saúde mental seja mesmo o primeiro passo para uma nova abordagem mais humana e completa, que este ano foi posta à prova. Estas equipas não se superaram, mostraram aquilo que são. Antes, muitas vezes, anulavam-se, tinham uma autoestima fragilizada e hoje estão mais saudáveis sob o ponto de vista da sua missão social e da sua responsabilidade perante os outros. Fazer serviços públicos de saúde não é prestar um serviço de menor qualidade, é, pelo contrário, exercer a função mais nobre sob aquilo que é a responsabilidade social”, frisou.
A Unidade de Saúde Mental de Oeiras vai ficar provisoriamente instalada no edifÃcio da conservatória local, mas a câmara municipal já aprovou na última reunião a abertura do concurso público para as novas instalações, que terão lugar em Paço de Arcos.
À saÃda das instalações, Marta Temido foi questionada sobre a evolução da situação epidemiológica da covid-19, mas recusou dar quaisquer respostas aos jornalistas.
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