
O Telescópio Espacial James Webb é uma máquina do tempo. Quem o diz é o astrónomo canadiano Marcin Sawicki que se mostra ansioso por novas pesquisas da NASA. Na última terça-feira, a NASA revelou as primeiras imagens da mais recente descoberta científica.
Esta semana, pessoas de todo o mundo ficaram admiradas ao receberem as primeiras imagens do Telescópio Espacial James Webb, captando a visão mais profunda do cosmos até à data.
Marcin Sawicki é professor de astronomia na Universidade de Saint Mary`s em Halifax e também investigador, canadiano, que faz parte da equipa do telescópio Webb.
Ver as imagens divulgadas pela NASA na última terça-feira foi um momento muito esperado, disse o investigador.
“São lindas”, disse Sawicki. “São melhores do que o que esperávamos”.
As imagens incluem a vista de um planeta gasoso gigante fora do nosso sistema solar, duas imagens de uma nebulosa onde as estrelas nascem e morrem e a atualização de uma imagem clássica de cinco galáxias bem juntas que dançam à volta umas das outras.
Sawicki faz parte de uma equipa que assegurou que a Webb pudesse captar estas imagens. Já lá vão mais de 20 anos de trabalho.
Segundo Sawacki, as fotos divulgadas esta semana foram apenas uma “antevisão” para os investigadores. Os principais dados começam a ser divulgados em outubro.
Existem dois objetivos principais na investigação. O primeiro é encontrar as galáxias mais distantes do universo.
“Estas são as primeiras galáxias que se formam após o Big Bang, vê-las como estão a ser montadas, como se estão a formar”, revelou o canadiano.
Há cerca de 13 mil milhões de anos, logo após o Big Bang, os investigadores teorizaram a formação das primeiras galáxias.
O telescópio Webb foi construído para as descobrir de facto, disse Sawicki.
Outro objetivo da equipa de investigação é seguir as galáxias ao longo do tempo cósmico, e perceber como se tornaram no que são hoje.
“A Webb é uma máquina do tempo. Todos os telescópios são de certa forma uma máquina do tempo”, disse ele.
“A luz viaja muito depressa, mas viaja a uma velocidade finita. Quando se olha para a lua, não se vê a lua como ela é agora, mas como era há um segundo atrás”.
A estrela mais próxima da Terra fora do sistema solar está a quatro anos-luz de distância, disse Sawicki, por isso, quando olhamos para ela, vemo-la não como é agora, mas como era há quatro anos.
O mesmo se passa com as galáxias que se formaram há 13 mil milhões de anos. Todas emitiam uma luz própria naquela altura, mas só agora é que nos chega.
“Estamos a ver as suas imagens, a sua aparência tal como eram na altura”, disse Sawicki.
Com o passar do tempo, as pesquisas vão poder comparar imagens das galáxias e ver como elas mudam com o tempo.
A equipa de investigadores canadianos tem um programa para observar cinco aglomerados maciços de galáxias, semelhante aos vistos na fotografia da NASA.
“Quando olhamos para galáxias distantes nestas imagens, estamos a olhar para galáxias que fizeram oxigénio e azoto e ferro, que agora existem em abundância no nosso universo. É a nossa história”, concluiu o investigador.



