
Maputo, 16 abr 2026 (Lusa) – A cidade de Maputo vive hoje o terceiro dia de caos em várias artérias, com filas generalizadas de automobilistas que tentam abastecer combustível, com a maioria dos postos encerrados e outros com reforço policial.
Numa ronda realizada pela Lusa esta manhã foi possível constatar em plena avenida 24 de Julho, centro da capital moçambicana, polícias armados a tentarem organizar o acesso de pessoas com bidons ao interior de um dos poucos postos com combustível.
A medida surge após altercações registadas entre clientes, desde quarta-feira, em alguns postos, na disputa por vaga para encher alguns litros de combustível, com relatos e queixas de funcionários que pedem valores para furar filas, agravando a tensão nestes locais.
A generalidade das ‘bombas’ em Maputo permanece encerrada, sem combustível, algumas já pelo terceiro dia, e outras, com filas que congestionam todo o trânsito na capital, limitam a quantidade máxima de gasolina e gasóleo ao equivalente a 1.000 meticais (13,2 euros).
Junto aos postos, além de centenas de pessoas a pé, com bidons e garrafas vazias, e dezenas de viaturas, há também quem venda garrafas e garrafões, usadas, aos que tentam garantir alguns litros de combustível, com a expetativa de espera de várias horas e sem garantia de sucesso.
O cenário que se agrava em Maputo há três dias começa também a ser visto noutros pontos do país, conforme relatos de várias províncias.
Face a esta crise, que já condiciona a atividade no país, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia moçambicano anunciou hoje a aprovação de “medidas excecionais e imediatas” para garantir o abastecimento de combustíveis líquidos no país, assegurando o reabastecimento célere dos postos e a disponibilidade do produto ao público.
“A decisão surge na sequência de constrangimentos registados no processo de distribuição, não obstante a importação de combustíveis continuar a ser feita de forma regular”, segundo um comunicado da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), relacionado com os efeitos do conflito no Médio Oriente.
De acordo com o Governo moçambicano, com vista a assegurar a normalização imediata da situação, o ministério autorizou, “com caráter excecional e urgente”, os operadores retalhistas a adquirirem produtos petrolíferos junto de qualquer operador distribuidor, devidamente licenciado, que tenha disponibilidade de produto, independentemente dos vínculos contratuais existentes.
Esta medida, segundo o Governo, vai permitir o reabastecimento célere dos postos, que registam, nos últimos dias, filas de centenas de metros, congestionamentos generalizados e postos de abastecimento encerrados, sem gasolina ou gasóleo.
“A medida visa garantir que todos os postos de abastecimento disponham de combustível para venda ao público e vigorará até que todos os operadores distribuidores recuperem as condições para a retoma do seu curso normal de distribuição”, refere-se.
Neste contexto, a DNHC apela à calma, desencoraja o açambarcamento e a constituição de reservas domésticas de combustível, bem como o abastecimento para além do estritamente necessário.
O Governo moçambicano reconheceu na terça-feira “pressão” sobre os postos de combustíveis, quando surgem enormes filas para abastecer, pelo menos em Maputo, face a receios de rutura de ‘stock’ e subida de preços devido ao conflito no Médio Oriente.
“Efetivamente, temos estado a acompanhar alguma pressão sobre as bombas. A informação existente é que há disponibilidade, ainda, de ‘stock’. Eu não poderia aqui transmitir a mensagem de quantos dias, quantas semanas, mas este é um assunto de seguimento diário ao nível do Governo”, disse o ministro Salim Valá, porta-voz da reunião semanal do Conselho de Ministros, realizado em Maputo.
“Os novos preços vão ter que chegar”, disse na terça-feira o Presidente da República, justificando a situação dos combustíveis com a guerra no Médio Oriente, que afeta Moçambique, cujas importações dependem em 80% do envio através do estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão e agora pelos Estados Unidos da América.
“Enquanto a guerra continuar não vamos conseguir continuar a esticar a corda [dos preços atuais, ainda sem aumentos] por muito mais tempo”, afirmou Daniel Chapo.
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