Mais duas aeronaves da moçambicana LAM começam a operar esta semana

Beira, Moçambique, 12 ago 2026 (Lusa) – As duas aeronaves das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) intervencionadas na África do Sul entram em operação esta semana, elevando para 10 os aviões em atividade, prevendo 12 até dezembro, disse hoje o presidente da comissão de gestão.

“Hoje a LAM está numa posição muito boa em comparação com 12 meses atrás, quando chegámos à empresa em maio do ano passado. Quando cheguei tínhamos apenas três aeronaves. Hoje temos duas aeronaves próprias em operação e seis aeronaves de parceiros a voar, totalizando oito. Mais duas aeronaves, os novos Embraer 190, entrarão na frota esta semana”, disse Dane Kondic.

O responsável falava em conferência de imprensa no Aeroporto Internacional da Beira, na província de Sofala, centro do país, no âmbito do arranque de ligações diretas entre aquela cidade e vários destinos do centro e norte de Moçambique, reforçando o papel da capital provincial como “ponto estratégico” da rede doméstica da transportadora estatal, conforme anunciado pela companhia na terça-feira.

Segundo Dane Kondic, com a entrada em funcionamento das duas aeronaves anteriormente intervencionadas na África do Sul, e que já se encontram em Moçambique, a LAM passará a dispor de 10 aviões em operação para transporte de passageiros e carga.

“Até ao final do ano teremos mais duas. Assim, a LAM terá 12 aeronaves em operação, o que representa uma grande evolução em relação à situação de um ano atrás”, afirmou.

Kondic sustentou que a administração e a nova estrutura acionista têm trabalhado “arduamente” para melhorar a situação financeira e operacional da companhia, defendendo que o reforço da frota é a principal prioridade.

“Ter mais aeronaves significa que também podemos conectar o país. Os moçambicanos precisam do transporte aéreo. O país tem dimensões enormes, por isso o transporte aéreo é, de facto, a melhor e a única forma de ligar todos. Trabalharemos ainda mais daqui para a frente para continuar a evoluir”, acrescentou.

A aeronave Bombardier CRJ200 que passa a assegurar as novas ligações da Beira para Tete e Quelimane, no centro do país, e para Nampula, Pemba e Nacala, no norte, foi alugada no Quénia e tem capacidade para 50 passageiros.

Segundo o gestor, o reforço das ligações deverá contribuir para dinamizar a economia local, num contexto de crescente utilização do aeroporto da Beira e de maior atração de investimento e turismo.

“Estamos a melhorar a conectividade dentro de Moçambique e acreditamos no mercado da Beira, que todos sabemos ser uma cidade muito importante, um polo logístico, onde existe procura. O problema da LAM sempre foi a falta de aeronaves suficientes. Por isso acreditamos que uma aeronave não basta. Com o tempo alocaremos uma segunda aeronave aqui e operaremos ainda mais rotas”, prometeu.

A LAM encontra-se num profundo processo de reestruturação, após vários anos marcados por dificuldades operacionais relacionadas com a reduzida dimensão da frota e pela falta de investimento.

A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) aprovou, em 2025, a aquisição de 25,2% do capital social da LAM, no âmbito desse processo, seguida pela Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), cada uma com 15,4%.

De acordo com a Conta Geral do Estado de 2025, a HCB aprovou um investimento de 36 milhões de dólares (30,8 milhões de euros) na operação e participou na criação da Fly Moz, entidade que tem o “objetivo de garantir financiamentos à LAM”.

A seguradora Emose aprovou um investimento de 22 milhões de dólares (18,8 milhões de euros), passando a deter 15,4% da estrutura acionista da companhia, participação idêntica à dos Caminhos de Ferro de Moçambique, segundo a mesma fonte.

Há um ano foi anunciada a intenção de alienar 91% do capital social da LAM, mas as operações entretanto concretizadas representam ainda 56% da estrutura acionista da transportadora.

PME/JYJE // JMC

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