Mais de 40.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta desde quinta-feira

Madrid, 31 jul 2026 (Lusa) – Mais de 40.000 pessoas entraram na cidade espanhola de Ceuta ilegalmente desde quinta-feira, oriundas de Marrocos, disseram hoje fontes policiais de Espanha citadas por vários meios de comunicação social do país.

Uma fonte citada pela agência de notícias EFE disse que as primeiras estimativas das forças de segurança espanholas apontam mesmo para 49.000 pessoas.

A maioria das entradas no enclave de Espanha no norte de África ocorreu na quinta-feira, disseram as mesmas fontes.

O Governo de Espanha não avançou até agora com um número oficial.

Vivem em Ceuta cerca de 83.000 pessoas, de acordo com os censos mais recentes da população.

Ceuta viveu uma crise semelhante em 2021, mas o número de entradas foi substancialmente menor, 10.000 pessoas em 48 horas.

Pelo menos 19 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentarem entrar em Ceuta, com a situação nesta fronteira a continuar a ser tensa ao início desta manhã.

Fontes policiais espanholas indicaram que aumentou para 19 o número de corpos retirados do mar em Ceuta desde quinta-feira, quando milhares de pessoas avançaram para a fronteira, a partir de Marrocos, para passar ou tentar passar para o enclave espanhol a nado, a pé ou saltando a vedação que existe entre os dois territórios.

Meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local relataram que o dispositivo policial nos dois lados da fronteira naqueles momentos não conseguiu travar a avalanche de pessoas.

Como aconteceu durante a madrugada, esta manhã continuavam a cruzar a fronteira “numerosas pessoas”, escreveu a agência espanhola Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta “amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos”, descreveu o jornal EL Pais.

A agência de notícias espanhola EFE avançou que o movimento na fronteira está porém a ser agora nos dois sentidos, com “centenas de migrantes” que entraram em Ceuta a começarem também, esta manhã, “a regressar a Marrocos pelo mesmo ponto onde entraram”, junto ao pontão fronteiriço na zona de El Tarajal.

“De forma paralela, continuam a entrar na cidade pequenos grupos de pessoas pelo mesmo local, cruzando-se no caminho com os que abandonam Ceuta em direção a Marrocos”, acrescentou a EFE.

A mesma agência de notícias testemunhou, no lado de Marrocos, na cidade de Fnideq, “confrontos violentos” perto da fronteira com Ceuta envolvendo centenas de pessoas que tentavam cruzar para o lado espanhol.

“Grupos de pessoas tentaram forçar a vedação e lançavam pedras contra as forças de segurança mobilizadas para a zona”, disse a EFE.

O Governo de Espanha anunciou na quinta-feira o envio de Forças Armadas para apoiar a Guarda Civil em Ceuta na “manutenção da segurança na cidade”, assim como um reforço de meios das forças de segurança.

Segundo os meios de comunicação no local, o exército espanhol está já a colocar tanques no acesso à cidade, junto à fronteira com Marrocos, na zona de El Tarajal.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, vão também à cidade hoje.

Por seu lado, as autoridades marroquinas reforçaram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira.

Os dois governos asseguraram na quinta-feira existir uma boa cooperação bilateral nesta crise, que ambos atribuem a uma operação de redes de tráfico humano.

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