MAI diz que “destruição pessoal” ultrapassou limites quando Ventura o comparou a um ‘gangster’

Câmara de Lobos, Madeira, 01 set 2026 (Lusa) — O ministro da Administração Interna considerou hoje que “a destruição pessoal e política ultrapassou todos os limites” quando o presidente do Chega, André Ventura, o comparou a um ‘gangster’.

“Não posso ignorar o que está a acontecer no debate político. Nas últimas semanas, assistimos a uma escalada de mentiras, insinuações, e de destruição pessoal e política que ultrapassou todos os limites”, declarou Luís Neves, na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.

O ministro disse que “podia falar no abstrato”, mas apontou diretamente ao presidente do Chega, André Ventura: “Comparou-me a um ‘gangster’ e até já falou que só falta que ande a vender droga na rua”.

Luís Neves acrescentou que o presidente do Chega tem feito insinuações e acusações, sem provas, com o objetivo de “destruir” a sua reputação.

“Isto não é escrutínio, isto não é investigação política”, afirmou o ministro, defendendo que tem “mais de 30 anos dedicados ao serviço público” e “um legado operacional e de dirigente que é à prova de bala”.

“Durante mais de 30 anos combati grandes criminosos, gangsters mesmo, e criminosos da pior espécie, com gente brava, gente corajosa, quer da PJ quer de outras forças. […] Eu sei do que falo”, realçou o governante.

“Sem provas não há acusação, há difamação”, reforçou.

Após o discurso oficial, em declarações aos jornalistas, o ministro referiu ainda que estará disponível para “responder a qualquer questão” de André Ventura no debate regimental da Assembleia da República, na próxima semana.

Na segunda-feira, o líder do Chega disse que reunirá hoje os órgãos do partido para decidir sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo.

Na semana passada, Ventura já tinha admitido avançar com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação do ministro da Administração Interna, que considerou ter atingido um nível “grotesco” e “inaceitável”.

Interrogado sobre se admitia recuar na apresentação desta moção caso as explicações de hoje do ministro fossem esclarecedoras, André Ventura considerou essa hipótese difícil, fazendo referência à polémica com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga e descoberto numa empresa contratada pela PJ (quando Luís Neves liderava a PJ) e pelo governante, e o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.

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