Madrid estima em 5.000 os migrantes que permanecem em Ceuta

Ceuta, Espanha, 13 ago 2026 (Lusa) — O ministro do Interior espanhol estimou hoje em cerca de 5.000 as pessoas ainda em Ceuta, depois da entrada irregular maciça de mais de 70.000 migrantes oriundos de Marrocos, no final de julho.

Entre eles encontram-se identificados 1.898 menores, num processo que está praticamente concluído, disse Fernando Grande-Marlaska aos jornalistas na Delegação do Governo em Ceuta.

Entre os adultos, foi concluído o tratamento de mais de meio milhar de pedidos de asilo internacional, a maioria dos quais com uma decisão desfavorável à concessão de proteção internacional.

Marlaska anunciou também um novo reforço policial em Ceuta, que se junta ao que as forças de segurança espanholas têm vindo a realizar na cidade autónoma no norte de África desde o final de julho.

Atualmente, há 880 agentes policiais, mais 270 do que antes da crise, e 714 guardas civis, quase mais 200, esclareceu.

A Polícia Nacional espanhola vai contar nestes dias com um reforço adicional da Unidade de Prevenção e Reação, de 45 novos agentes, juntamente com 20 da Brigada Central de Estrangeiros e Fronteiras para apoiar o Gabinete de Asilo e Refúgio.

O Governo espanhol vai também acelerar a identificação e os procedimentos necessários para proceder ao regresso a Marrocos dos migrantes entrados irregularmente, uma vez determinada a situação administrativa, disse Marlaska, explicando que a prioridade inicial foi a identificação dos menores.

O ministro garantiu que as pessoas em situação irregular vão regressar “com a maior brevidade”, voltando a sublinhar que quem entrou ilegalmente não pode permanecer em Ceuta.

Também não vão ser transferidos para a península nem entrar no espaço europeu de livre circulação Schengen, salvo casos excecionais de máxima vulnerabilidade previstos pela legislação espanhola e internacional.

Marlaska indicou que aqueles que permanecerem escondidos para evitar a identificação vão acabar por ser localizados e que, uma vez comprovada a situação de permanência irregular, será iniciado o processo de expulsão.

No caso daqueles que tenham cometido crimes, assinalou que o procedimento será acelerado e que o Ministério do Interior solicitou ao poder judicial as autorizações necessárias para proceder à expulsão.

A 30 e 31 de julho, cerca de 72 mil pessoas entraram em Ceuta em 24 horas, tendo a maior parte (70 mil) voltado posteriormente a Marrocos, de acordo com dados das autoridades de Espanha.

Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.

Na sequência desta crise, foram reforçados os controlos policiais tanto em Marrocos como em Espanha, que, nos últimos dias, instalou barreiras flutuantes no mar em Ceuta e Melilla.

Apesar deste forte destacamento policial, os apelos para tentar uma nova entrada em massa em Ceuta e Melilla a 15 de agosto continuam a multiplicar-se nas redes sociais marroquinas.

As cidades autónomas de Ceuta e Melilla são dois enclaves espanhóis localizados junto à costa de Marrocos e são as duas únicas fronteiras terrestres da UE com África.

 

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