
Macau, China, 05 mar 2026 (Lusa) — O cônsul-geral de Moçambique em Macau, Rodrigues Muêbe, disse hoje à Lusa que já recebeu mais de 79 mil patacas (cerca de 8.400 euros) numa campanha de recolha de donativos para as vítimas das inundações.
Na quarta-feira, o diplomata recebeu 45 mil patacas (4.800 euros), um valor angariado entre os 19 mil membros da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.
No final de janeiro, o Consulado-Geral de Moçambique na região chinesa apelou à recolha de donativos, monetários e em espécie, para as vítimas das inundações que afetaram o país lusófono africano
Desde então, a representação diplomática recebeu também 18 mil patacas (1.900 euros) da Associação de Desenvolvimento de Profissionais Internacionais de Turismo de Macau, assim como 16 mil patacas (1.700 euros) em “donativos de anónimos”, disse Muêbe.
Os donativos monetários serão aceites, até ao final de maio, nas contas do consulado no Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Já os donativos em espécie serão encaminhados para um ponto de recolha em Cantão, na vizinha província chinesa de Guangdong, de onde será “mais fácil” o transporte para Moçambique, explicou Muêbe.
O cônsul acrescentou que recebeu uma oferta de ajuda da Cruz Vermelha de Macau e que está em contacto com a organização humanitária para coordenar o transporte dos donativos para Cantão.
Também a Escola Portuguesa de Macau realizou, entre os alunos e professores, uma campanha de recolha de artigos, que deverão ser doados, com o apoio do Consulado-Geral de Portugal, na próxima semana, referiu Muêbe.
O consulado tinha lançado um apelo ao “apoio humanitário e solidário junto das instituições público-privadas, associações e pessoas de boa vontade de Macau e da região da Grande Baía”.
A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projeto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.
O consulado pediu apoio monetário ou na forma de “roupas, materiais de higiene, medicamentos, alimentos não perecíveis, material didático, utensílios domésticos [e] material de produção agrícola”.
O objetivo é “ajudar as vítimas das cheias e inundações a erguerem as suas vidas”, perante uma “situação que decorre dos efeitos das mudanças climáticas”, lamentou a representação diplomática moçambicana.
Moçambique já recebeu 1,3 mil milhões de meticais (17,5 milhões de euros) e 6,7 mil toneladas de produtos diversos para apoiar vítimas das inundações, anunciou na terça-feira o Governo de Maputo.
O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 262, com registo de quase mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização de terça-feira pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
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