Lula da Silva oficializa candidatura à presidência e defende soberania brasileira

Brasília, 02 ago 2026 (Lusa) — O Presidente do Brasil, oficializado hoje como candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à presidência, defendeu como prioridades uma reforma política e mais investimentos na Defesa.

Numa intervenção, Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de mais investimentos em tecnologias da indústria para exploração de terras raras e minerais críticos, porque “nem chinês, nem americano e nem francês vão meter o dedo”.

O petista, como são chamados os membros do PT, disse ainda que quer não ser apenas “o presidente do Bolsa Família”, numa referência ao principal programa de transferência de rendimento do país criado pelas gestões do PT.

“Vamos ter que ser mais ousados para mudar muita coisa”, declarou.

Aos 80 anos, Lula da Silva concorre a um quarto mandato, tendo como principal adversário nas urnas o senador e candidato do Partido Liberal (PL) Flávio Bolsonaro de 45 anos, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sem fazer menção ao principal adversário, Lula disse ainda que é importante a militância de esquerda e o partido atraírem o voto do eleitor indeciso, e que o país não pode deixar a extrema-direita voltar ao poder.

A mais recente sondagem do instituto brasileiro Datafolha mostrou que Lula tem 40% das intenções de voto na primeira volta contra 32% de Flávio, sendo que na segunda volta, o petista tem 48% contra 43% do bolsonarista.

“Neste país, a mentira não prevalecerá. O que vai prevalecer é a entrega que estamos fazendo ao povo brasileiro”, disse.

Ao discursar por cerca de uma hora, o Presidente brasileiro falou de reforma política, o que é defendido pelo PT, mas Lula não referiu o poder judiciário, apenas o legislativo e na verba destinada a manter os partidos.

“A minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. Quero que vocês saibam. E vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o papel que tem hoje o poder legislativo”, declarou.

Lula afirmou não poder permitir que a figura do chefe do Executivo federal fique enfraquecida e perca as prerrogativas do cargo, dando como exemplo a indicação de juízes para o Supremo Tribunal Federal (STF) e diretores para as agências reguladoras.

“Não posso permitir que o Presidente da República vá perdendo os seus direitos (…) Qual é o direito que vai ter o Presidente? Nenhum. Vai ter de ter briga democrática para fazer uma mudança nesse país”, realçou.

Neste ano, a proposta que Lula apresentou para juiz do STF foi chumbada pelo Congresso Nacional brasileiro, o que não acontecia há 132 anos.

Lula acrescentou que a esquerda “precisa parar com a bobagem de achar que não tem de se preocupar com a Defesa” e argumentou a dimensão territorial das fronteiras terrestre e marítimas do Brasil.

“Precisamos de investir na defesa porque eu quero estar preparado para que ninguém invada este país para levar o Presidente como eles [Estados Unidos] invadiram”, destacou, numa referência à captura do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, em janeiro.

“Quero estar preparado para paz, e não para a guerra. Quero estar preparado para que ninguém nos faça de besta”, completou.

Em seguida, ainda num discurso marcado pela defesa da soberania nacional, o petista falou sobre a importância em mais investimentos em tecnologias e na indústria nacional para se explorar os minerais críticos e terras raras.

“Tem muita gente metendo o dedo no nosso nariz e metendo o dedo nas nossas terras, e isso vai parar, porque é um património do povo brasileiro”, afirmou.

A oficialização do nome de Lula ocorre num momento de desgaste da imagem do político, com as investigações da Polícia Federal brasileira ao filho mais velho, Lulinha, por suspeita de tráfico de influência no Governo federal.

Além disso, um dos amigos do petista e aliado histórico o senador da Baía Jaques Wagner é alvo da Polícia Federal no curso das investigações do Banco Master.

Lula disputou as eleições para a Presidência do Brasil em 1989, 1994, 1998 e foi finalmente eleito em 2002 e reeleito em 2006.

Em 2018, o PT chegou a oficializar a candidatura de Lula, na época em que estava preso devido ao caso Lava Jato, mas foi impedido pela Justiça Eleitoral.

Este ano, o PT repete a parceria vitoriosa com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2022, ocasião em que antigos adversários históricos, Lula da Silva e o atual vice-presidente Geraldo Alckmin, se uniram na mesma candidatura para derrotar o então Presidente Jair Bolsonaro.

A campanha eleitoral de Lula vai começar a 16 de agosto, com um comício na região de São Paulo.  

MYMA // EJ

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