
Macau, China, 04 jun 2026 (Lusa) — Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 4,48 mil milhões de patacas (477,6 milhões de euros) nos primeiros quatro meses do ano, mais 20,7% do que no mesmo período de 2025.
De acordo com dados oficiais divulgados pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) na quarta-feira, a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 30,3%, para 6,47 mil milhões de patacas (509,9 milhões de euros), na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.
Isto apesar de a AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.
Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, subiram 4% em comparação com abril de 2025, fixando-se em 1,08 biliões de patacas (115,6 mil milhões de euros).
Mas os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram ainda mais, 6,9%, para 1,44 biliões de patacas (153,2 mil milhões de euros) no final de abril passado, disse a AMCM.
Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas (783,6 milhões de euros) em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7%).
O ano mais lucrativo de sempre para a banca da região administrativa especial chinesa foi 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas (1,81 mil milhões de euros).
Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos.
O BNU anunciou no início de maio lucros líquidos de 110,6 milhões de patacas (11,7 milhões de euros) no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 17% face ao mesmo período do ano passado, algo que o banco atribuiu à queda das taxas de juro.
O crédito malparado na banca de Macau subiu ligeiramente, para 48,1 mil milhões de patacas (5,13 mil milhões de euros), mas continua abaixo do máximo de 57,8 mil milhões de patacas (6,17 mil milhões de euros), fixado em junho de 2025.
Os empréstimos vencidos representavam 4,4% dos empréstimos dos bancos de Macau, menos um ponto percentual do que em abril de 2025. Uma percentagem que sobe para 4,6% no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.
A percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3% alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.
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